
Por Rislainne Augusta
O São João de Caruaru não se consolida como o “Maior e Melhor do Mundo” apenas por sua gigantesca estrutura, mas, fundamentalmente, pelas pessoas que fazem a engrenagem cultural girar. Em entrevista exclusiva à repórter Rislainne Augusta, do Blog BPN, o presidente da Fundação de Cultura e também presidente do Comitê Executivo do São João, Herlon Cavalcanti, detalhou as ações de fomento à cadeia produtiva local e explicou a expressiva dimensão que a classe artística tomou na atual gestão municipal.
A conversa teve início com uma menção bem-humorada à recente participação de Herlon no programa de repercussão nacional Sem Censura, no qual o gestor chamou a atenção ao usar um figurino marcante inspirado no Frevo, reforçando a identidade estética e a riqueza das tradições de Pernambuco.
A Gigantesca Rede de Trabalhadores da Cultura
Questionado sobre uma declaração dada no programa nacional a respeito do número expressivo de artistas envolvidos no ciclo junino, Herlon explicou o cálculo que fundamenta a grandiosidade da festa e sua importância socioeconômica.
“Quando a gente afirma que o São João de Caruaru movimenta mais de 26 mil artistas, estamos falando de uma cadeia completa. Por exemplo, a Big Band que se apresenta aqui no Polo Azulão conta com 40 pessoas no palco. Isso representa 40 famílias, 40 trabalhadores da cultura. E por trás disso, há o roadie, o iluminador, a equipe técnica. Quando somamos toda essa rede, chegamos a esse número de profissionais que equivale à população inteira de quase 60% dos municípios de Pernambuco”, pontuou o presidente.
Meta de Gestão: A Valorização do Artista Local
De acordo com Herlon, as diretrizes da Fundação de Cultura e da gestão do prefeito Rodrigo Pinheiro priorizam colocar a produção prata da casa em evidência absoluta em todos os polos de animação.
Como exemplos práticos dessa inserção, ele citou a abertura oficial do São João, regida pela Orquestra de Pífanos sob a batuta da Maestro Mozart Vieira, que reuniu mais de 150 artistas no palco. O encerramento da festa também seguirá essa linha de celebração coletiva com o projeto do “Forró Gigante”, que integrará mais de 150 músicos caruaruenses.
O presidente também celebrou a descentralização cultural promovida através do sucesso absoluto das programações do São João na Roça e dos palcos do Alto do Moura.
Tradição e Modernidade
Ao finalizar o bate-papo no Polo Azulão — espaço definido por ele como a grande vitrina da música alternativa na festa —, Herlon defendeu a tese de que uma cidade com cultura viva é aquela que sabe dialogar com o tempo, unindo o respeito à memória histórica com a abertura para novas linguagens.
“Uma cidade viva respeita a sua memória e traz a tradição para o cotidiano. Mas, como já dizia Belchior, ‘o novo sempre vem’. Que venha sempre o novo para se misturar e enriquecer a nossa tradição”, concluiu Herlon Cavalcanti.
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