
Há quem diga que os grandes homens se medem pelos palcos que pisaram, pelas terras que ocuparam ou pelos prêmios que acumularam na estante. Ele já esteve no horário nobre da televisão, no cinema de destaque e colocou nas mãos o prestigiado Prêmio Mambembe. No entanto, a verdadeira grandeza de Sebastião Alves Sobrinho, o lendário Mestre Sebá, não está no brilho efêmero dos holofotes, mas na poeira da estrada e no barro da simplicidade.
Nascido em Sertânia e consagrado pelo afeto do povo como cidadão e Patrimônio Vivo, Mestre Sebá abriu o coração no BPNCast para falar sobre um momento histórico para a cultura do Nordeste: a reabertura do Theatro Mamusebá. Instalado no icônico galpão da antiga Estação Ferroviária de Caruaru, o espaço é fruto de uma batalha antiga conduzida em parceria com o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e a Fundação de Cultura local.
“O Brasil receberá um único teatro para o tamanho do que se fala e para o que tem dentro do espaço. Você não encontrará no universo nada igual… a começar de lacres, de lustres, de bonecos de confecção e manipulação em papel machê e madeira”, orgulha-se o mestre, que recusa o rótulo vaidoso de artista e prefere se denominar um eterno “operário da cultura popular”. Além do acervo de mamulengos, o teatro abrigará uma biblioteca infantil em memória aos icônicos Helenice Lisboa e Lídio Cavalcante.
Uma vida moldada na tradição analógica
Durante o bate-papo com Paulo Nailson, Sebá relembrou suas origens humildes — desde quando entregava pães em uma bicicleta aos 12 anos em Sertânia, trabalhava em fábrica de vinagre e ensacava açúcar para bater no peito como um herói, até o estalo definitivo na década de 1970. Foi o diretor Vital Santos quem o puxou para os palcos através do histórico espetáculo “Solte o Boi na Rua”. Desde então, a caminhada transformou-se em uma missão mística de resistência da identidade de nossa gente.
A Engrenagem da Magia: Conheça os Bastidores

A repórter do BPN, Rislainne Augusta, foi conferir de perto o suor dos profissionais que garantem o funcionamento perfeito do espetáculo antes que as cortinas se abram:
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Adeilza (Companhia Pernas Prá Circulá): Responsável por coordenar o balé nas alturas, detalhou a intensa preparação física da equipe, com focos em treinos dominicais, alongamentos de lombar e panturrilha. “É algo mágico lá de cima. Quando nos apresentamos em grandes multidões, como no Marco Zero ou em Caruaru, você não enxerga o chão, só vê as cabeças pulando. É a energia do circo”, conta. Para este São João, a tradicional quadrilha estilizada sobre pernas de pau trará figuras clássicas como o rei, a rainha, o padre, o prefeito e a viúva.
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Everton (Estrutura e Técnica): É o homem encarregado de traduzir os sonhos lúdicos de Sebá em realidade física, assumindo a engenharia de som, montagem mecânica e iluminação. O desenho de luz, inspirado no veterano Mestre Edu, aposta em uma psicodelia de cores primárias operada em tempo real pelos próprios manipuladores. “Pegar a ideia que o velhinho tem na cabeça e fazer acontecer é massa. No dia que acende tudo e a casa está cheia, ele parece uma criança que ganhou presente”, revela Everton.

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Ritinha (Coordenação Geral do Mamusebá): Filha do Mestre Sebá, ela carrega no peito a responsabilidade afetiva do grupo criado em 1985. Gerenciando as oficinas, o elenco e os cronogramas, Ritinha destaca a beleza de unir a herança clássica às demandas modernas das crianças digitais. “Para estar perto do meu pai, eu tinha que estar no teatro. Cresci nesse universo. Hoje unimos nossa tradição com a modernidade que as crianças trazem, inserindo músicas novas, mas sem perder clássicos como o Benedito, que elas tanto esperam”, explica.
Programe-se para a Temporada de São João
Abrindo as portas neste sábado, 30. As apresentações regulares no galpão da Estação Ferroviária funcionarão ao longo de todo o período junino nos seguintes horários:
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Quinta, Sexta e Sábado: às 20h00
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Domingos: sessões duplas às 17h00 e às 20h00
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Vésperas de Feriado: às 20h00
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Dias de Feriado: sessões duplas às 17h00 e às 20h00 (Santo Antônio, São João e São Pedro).
Não perca a chance de prestigiar este verdadeiro templo da cultura nacional. Assista à entrevista completa no canal do YouTube do Blog BPN e mergulhe no fantástico “País de Caruaru”!


















Uma resposta
Esse é muito grande, como artista e como ser humano 👏👏👏