
Por: Redação BPN
A coletiva de imprensa do Prêmio Paixão Cultural reservou um daqueles momentos que ficam gravados na memória de quem valoriza a identidade nordestina. Em uma performance descrita pelos presentes como “sublime”, a multi-instrumentista e cantora Bia VillaChan dividiu o microfone com Marcelo Melo, voz e alma do lendário Quinteto Violado, para uma interpretação emocionante de “Asa Branca”.
O encontro não foi apenas uma apresentação musical, mas uma reverência à história. Marcelo Melo, único remanescente da formação original do grupo e que segue em plena atividade criativa, trouxe ao palco a bagagem de mais de 50 anos de trajetória. Ao lado de Bia, ele reviveu o arranjo que revolucionou a música brasileira na década de 70.
O “Free Nordestino” que encantou o Rei A versão apresentada remete ao antológico arranjo lançado pelo Quinteto Violado em 1972. Na época, a mistura de influências regionais com harmonias sofisticadas e experimentais rendeu ao grupo o apelido de “free nordestino”, batizado por ninguém menos que Gilberto Gil.
O impacto dessa releitura foi tão profundo que o próprio Luiz Gonzaga, ao ouvi-la pela primeira vez, não conteve a emoção. O “Rei do Baião” declarou que aquela era a “melhor leitura” de sua obra e afirmou, com os olhos marejados, que sua música jamais morreria após a interpretação do grupo.
Tradição e Inovação Durante a performance, encerrando a coletiva, o público pôde notar a característica marcante desse arranjo: o acorde específico na introdução que separa essa versão de todas as outras já feitas. Essa metodologia de criação, que funde a essência do Sertão com a sonoridade urbana e contemporânea, é um pilar que o Quinteto Violado utiliza até hoje em seus projetos sociais e educacionais.
Ver Bia VillaChan — expoente da nova geração que valoriza nossas raízes — ao lado de uma lenda como Marcelo Melo, foi a prova viva de que a profecia de Luiz Gonzaga estava certa: a nossa arte segue pulsante, inovadora e, acima de tudo, imortal.
O Prêmio Paixão Cultural reafirma, com momentos assim, sua missão de não apenas premiar, mas de celebrar os elos que unem o passado e o futuro da nossa cultura.

















