8 de Março: Menos Rosas, Mais Cadeiras no Parlamento e no Poder. Por João Américo de Freitas

8 de março de 2026

Neste 8 de março, o Brasil acorda para celebrar a força daquelas que, de fato, carregam este país nas costas. As mulheres são a base da nossa economia, as chefes da maioria dos lares e as grandes responsáveis por manter o tecido social brasileiro de pé, mesmo diante de todas as adversidades. Esta é uma ode merecida à resiliência, à inteligência e à coragem feminina. Mas, como o nosso compromisso aqui é com a realidade e não com discursos vazio, precisamos deixar as rosas e as homenagens protocolares de lado para olhar no fundo dos olhos da nossa democracia.

A matemática, expõe uma hipocrisia que nenhuma flor consegue esconder: as mulheres representam 52,47% do eleitorado nacional. Elas são as donas absolutas da urna, aquelas que decidem quem sobe a rampa do Planalto e quem senta na cadeira de prefeito, governador, senador e etc… No entanto, quando as portas dos parlamentos e dos palácios se fecham para a tomada de decisões, elas ocupam vergonhosos menos de 20% dos cargos eletivos. Esse abismo não é fruto do acaso, da falta de vocação ou de desinteresse. É o resultado de um sistema político arcaico, patriarcal e desenhado milimetricamente para excluir.

A lei eleitoral, na tentativa de corrigir essa aberração histórica, impôs desde 1997 a cota mínima de 30% para candidaturas femininas. A resposta dos caciques partidários, contudo, foi um escárnio: inventaram as candidaturas laranjas. Usaram o nome, o CPF e a dignidade de mulheres apenas para preencher formulários no TSE, destravando o fundo eleitoral para financiar a campanha dos mesmos, ou seja a cota é de 30% para mulheres só durante o processo político eleitoral, mas esse número não se repede de uma maneira geral nos espaços de poder.

Neste Dia Internacional da Mulher, a maior homenagem que o Brasil pode prestar a elas não cabe em um post de rede social. A verdadeira homenagem se chama divisão de poder. Enquanto o sistema continuar tratando a maioria da população como uma minoria política, nossa democracia continuará sendo apenas uma ficção bem contada por um clube de senhores de terno e gravata. Viva a força das mulheres, mas, acima de tudo, que venham os espaços de poder que lhes são de direito.

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