
No dia em que o Centro de Prática e Pesquisa N’Golo Capoeira Angola celebra quase três décadas de existência, o BPNCast recebeu o Contramestre Alexandre Angoleiro. Em uma conversa profunda e emocionante, Alexandre relembrou sua trajetória, a fundação do centro e a filosofia que mantém viva a chama da Capoeira Angola no Agreste pernambucano.
O Despertar para a Capoeira
A história de Alexandre com a capoeira começou cedo, em 1987, observando as rodas em festas tradicionais de Caruaru, como o dia de Cosme e Damião. No entanto, foi o encontro com Alexandre Ferro (fundador do N’Golo) na feira de artesanato que mudou sua percepção sobre a arte. Ferro, que havia retornado de Salvador após treinar com o mestre Morais (GCAP), trouxe consigo uma estética e uma liturgia que Alexandre nunca tinha visto.
“Eu me senti um berimbau sem o caxixi, e a Capoeira Angola trouxe esse conjunto do que eu necessitava.”
A Fundação do Centro N’Golo
O Centro N’Golo completa 29 anos neste dia 5 de junho, data escolhida estrategicamente por ser também o aniversário de Alexandre Ferro, o “plantador da semente”. Alexandre descreve este momento como o segundo melhor da história do grupo, fruto de um trabalho contínuo de “adubar e semear” a cultura.
Para o Contramestre, a prática da capoeira não é apenas para o presente, mas um compromisso com as gerações futuras. Ele cita a filosofia de mestre Pastinha ao dizer que “todo dever cumprido representa um passo para a frente no sentido da evolução”. É o conceito de plantar um baobá: talvez você não desfrute da sombra, mas seus filhos e netos sim.
Tradição e Modernidade: A Dinâmica da Evolução
Um dos pontos altos da entrevista foi a discussão sobre como manter a essência da capoeira sem deixá-la engessada. Alexandre defende que a tradição é dinâmica:
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Ajustes Necessários: Práticas que prejudiquem mulheres, crianças ou questões de gênero devem ser revistas.
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Preservação da Essência: A música e os movimentos devem nascer da lida e do suor, e não apenas de reproduções artificiais ou inteligência artificial.
O Futuro do N’Golo
Ao ser questionado sobre os próximos 29 anos, Alexandre foca na continuidade. Os planos incluem transformar a Capoeira Angola em uma ferramenta educacional e cultural ainda mais ampla. Para ele, o N’Golo é, acima de tudo, família. Uma família que acolhe, educa e, por vezes, coloca de castigo para ensinar.
A entrevista encerrou com uma reflexão sobre gratidão — uma “dívida que não prescreve” — e a definição de si mesmo como alguém que preza pela seletividade em suas relações para proporcionar bem-estar aos que o cercam.
Confira a entrevista completa no canal do Blog BPN


















Uma resposta
Esse camarada eu conheço, pessoa humana, amigo do bem, fazedor de cultura e preservados de essências. Parabéns Alexandre 👏👏👏🙏