ZEMA AUMENTOU O SEU SALÁRIO EM 298%: O QUE ZEMA E O NOVO, TÊM DE NOVO? Por Profº Roberto Peixoto

3 de agosto de 2024

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, eleito pelo partido Novo, protagonizou recentemente um episódio que merece a nossa reflexão crítica e indignação. Durante uma entrevista ao canal de televisão CNN, Zema defendeu o aumento de 298% no próprio salário e no de seus secretários, aprovado no ano passado, justificando a medida com a alegação de que os vencimentos estavam defasados e que ele estava perdendo parte do seu secretariado. No entanto, essa justificativa esconde uma realidade preocupante e desconectada da vida dos servidores públicos e da população mineira.
Enquanto o governador e seus secretários obtiveram um reajuste salarial estratosférico, os servidores públicos receberam uma modesta recomposição de 4,62% este ano. A disparidade entre esses aumentos revela uma política de gestão pública que parece priorizar os altos cargos em detrimento dos trabalhadores que sustentam o funcionamento do Estado. Essa postura é não só injusta, mas também revela uma falta de sensibilidade com as reais necessidades da população e dos servidores.
O Conselho de Supervisão do Regime de Recuperação Fiscal (RRF) de Minas Gerais considerou irregular o aumento salarial dado ao governador e aos secretários, solicitando um estudo sobre o impacto financeiro-orçamentário do reajuste durante os próximos nove anos. Esse pedido evidencia a insustentabilidade e a imprudência dessa medida, que pode comprometer a homologação do RRF, instrumento essencial para a recuperação econômica do estado.
A situação se agrava quando lembramos que Minas Gerais enfrenta uma série de desafios financeiros e sociais. Como cidadão brasileiro, que paga seus impostos em dia, é legítimo esperar que esses recursos sejam revertidos em obras públicas, melhorias nos serviços essenciais e políticas que beneficiem a maioria da população. Infelizmente, o aumento salarial defendido por Zema parece caminhar na direção oposta, favorecendo uma minoria em detrimento do bem comum.
O partido Novo, que se apresenta como uma alternativa à velha política, precisa repensar suas práticas e políticas. É inadmissível que, em um cenário de crise, onde a maioria dos brasileiros enfrenta dificuldades econômicas, sejam promovidos aumentos salariais dessa magnitude para os altos cargos do governo. O “novo” que se propõe deve vir acompanhado de práticas mais justas e coerentes com as necessidades da população.
É fundamental que a sociedade mineira e brasileira, de modo geral, mantenha-se vigilante e crítica em relação às ações de seus governantes. Precisamos lutar por uma gestão pública que priorize o bem-estar coletivo, que valorize os servidores públicos e que seja transparente e responsável em suas decisões. O aumento salarial de 298% para o governador e seus secretários é um tapa na cara dos trabalhadores e da população, e não podemos aceitar isso passivamente.
Por fim, a pergunta que fica é: o que Zema e o partido Novo têm de novo? Até agora, as ações mostram mais do mesmo, uma velha política travestida de novidade, que perpetua privilégios e desigualdades. Precisamos de um “novo” que realmente faça a diferença, que seja comprometido com a justiça social e com a verdadeira transformação da nossa sociedade. O novo virá das urnas nas eleições que se avizinha.

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