Xadrez Eleitoral: Alfredo Gomes lança pré-candidatura e desafia hegemonias em Pernambuco

18 de fevereiro de 2026

O cenário sucessório para o Governo de Pernambuco ganhou um elemento de peso acadêmico e político. O reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Alfredo Gomes, oficializou nesta quarta-feira (18) sua pré-candidatura ao Palácio do Campo das Princesas. Filiado à Rede Sustentabilidade há apenas três meses, Gomes entra no jogo com um discurso de ruptura contra o que chama de “polarização de grupos familiares”, uma estocada direta nas frentes lideradas pela governadora Raquel Lyra (PSD) e pelo prefeito João Campos (PSB).

O Impasse na Federação: Gomes vs. Ivan Moraes

A movimentação de Alfredo Gomes, embora legítima, cria um nó tático dentro da Federação PSOL/Rede. Isso porque o PSOL já colocou na mesa o nome do ex-vereador Ivan Moraes para a disputa. Como o PSOL detém a maioria estatutária na federação em Pernambuco, a pré-candidatura do reitor pela Rede precisará de uma costura política sofisticada para não ser barrada internamente.

O “Plano B”: O Caminho do PDT

Ciente das dificuldades na Federação, o grupo político que sustenta Alfredo Gomes — liderado pelo deputado federal Túlio Gadêlha (Rede) — já trabalha com uma alternativa estratégica: o PDT.

As negociações estão em estágio avançado entre Gadêlha e o presidente nacional pedetista, Carlos Lupi. Caso a Federação PSOL/Rede opte por Ivan Moraes, o caminho natural de Gomes seria a migração para o PDT, sigla que busca retomar o protagonismo no estado após as recentes mudanças em seu comando local.

Cronômetro Ligado: Fevereiro é o Mês Decisivo

Para Alfredo Gomes, o tempo é o maior adversário. Como reitor da UFPE, ele tem o prazo legal de desincompatibilização (afastamento do cargo) até o dia 4 de abril. No entanto, a definição partidária precisa ocorrer bem antes:

  • Até o final de fevereiro: Gomes precisa ter a garantia de legenda (seja na Federação ou no PDT).

  • Março: Prazo para ajustes finais e organização da saída da Reitoria.

Análise BPN: A entrada de Alfredo Gomes oxigena o debate programático, trazendo a pauta da educação e da ciência para o centro da disputa. No entanto, o desafio é prático: ele conseguirá viabilizar uma “terceira via” à esquerda sem o apoio da máquina do Recife ou do Estado? A resposta depende da capacidade de Túlio Gadêlha em convencer Carlos Lupi de que o PDT deve apostar todas as fichas no reitor.

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