
Ontem assisti, pela primeira vez, a Querido Mundo, de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa, em montagem do teatro de Caruaru.
E talvez uma das melhores maneiras de saber se um espetáculo nos envolve seja perceber se, em algum momento, queremos descobrir como aquela história vai terminar. Com Querido Mundo, foi exatamente assim comigo.
A montagem consegue construir uma atmosfera leve, divertida e próxima do público, mesmo quando trata de situações que carregam suas dores e contradições. É um espetáculo que encontra no humor uma maneira de aproximar, sem perder completamente aquilo que existe por trás das risadas.
Me impressionou especialmente a atuação de Maria Alves. Há maturidade, segurança e domínio de cena em sua interpretação. Ela sustenta a personagem com naturalidade e dá ao espetáculo uma presença que se faz notar. André Riccari não deixa por menos.

Não diria que se trata de um espetáculo perfeito — e talvez nem precise ser. Há escolhas na montagem, especialmente alguns “cacos”, com os quais tenho minhas restrições. Mas são questões pontuais, que não diminuem aquilo que considero essencial: a capacidade de fazer o público se deixar levar, sorrir, se divertir e querer permanecer até o fim.
E isso, no teatro, já diz muita coisa.
Saí com a sensação boa de ter descoberto um espetáculo que sabe conversar com o público e, sobretudo, de ter visto mais uma produção que reafirma a vitalidade do teatro feito em Caruaru.


















