
Da Redação do BPN
O encerramento da janela partidária na última sexta-feira (3) redesenhou o tabuleiro político de Pernambuco, consolidando um novo arranjo de forças que deve ditar o ritmo da Assembleia Legislativa (Alepe) e as estratégias para as próximas eleições. Em um mês de intensas negociações, 28 dos 49 deputados estaduais trocaram de legenda — um movimento que evidencia a busca por novos espaços de poder e o fortalecimento da base governista.
A “Onda Laranja” e o Fortalecimento de Raquel Lyra
O PSD, partido liderado no estado pela governadora Raquel Lyra, emergiu como o grande protagonista deste ciclo. A sigla tornou-se o principal destino de parlamentares de peso, saltando em representatividade. Entre as filiações estratégicas, destacam-se Izaías Régis e Débora Almeida (ex-PSDB), além de nomes como Jarbas Filho (ex-MDB) e Socorro Pimentel (ex-União Brasil).
Esse crescimento não é apenas numérico; ele reflete a capacidade da governadora de converter sua recente ascensão nas pesquisas — onde aparece em empate técnico com o prefeito João Campos — em governabilidade real. Com o PSD fortalecido, o Palácio do Campo das Princesas amplia seu cinturão de proteção e articulação na Alepe.
Podemos e PP: O Centro Ganha Musculatura
O Podemos também registrou um salto significativo, tornando-se uma legenda estratégica para a estabilidade legislativa. O partido recebeu um bloco vindo do Solidariedade (Gustavo Gouveia, Luciano Duque, Wanderson Florêncio e Fabrízio Ferraes) e nomes do peso de Edson Vieira.
Já o PP, apesar de algumas perdas, manteve sua relevância ao atrair nomes como Gleide Ângelo, reforçando uma bancada que transita com facilidade entre temas populares e de segurança pública.
Esquerda Fragmentada: Resistência no PSB e o Racha no PT
Se por um lado o PSB de João Campos buscou se reorganizar com as chegadas de Waldemar Borges e Diogo Moraes, o cenário à esquerda revela um “fogo amigo” que pode custar caro à unidade da oposição.
Diferente do que se poderia esperar de um alinhamento automático com o prefeito do Recife, o PT pernambucano exibe fissuras profundas. Lideranças históricas e de grande base social, como o ex-presidente estadual da sigla, Doriel Barros, e o ex-prefeito do Recife, João Paulo Lima e Silva, não sinalizam apoio ao projeto de João Campos. Pelo contrário: as movimentações indicam uma inclinação ou, no mínimo, uma abertura de diálogo com a gestão de Raquel Lyra. Soma-se a isso a postura de Rosa Amorim (pré-candidata a federal), evidenciando que setores importantes do PT e de movimentos sociais não se sentem representados pelo projeto do PSB, preferindo manter a autonomia ou até colaborar com a atual governadora.
Lideranças Independentes e Estreia do NOVO
A janela ainda reservou espaço para reposicionamentos de lideranças consolidadas, como o presidente da Alepe, Álvaro Porto, e o ex-prefeito de Caruaru, Zé Queiroz, que agora integram o MDB. No campo da renovação ideológica, o Partido Novo faz sua estreia na Casa com a filiação de Renato Antunes, trazendo um novo viés de discurso para o plenário.
O Que Esperar de Agora em Diante?
Com quase 60% da Assembleia Legislativa de “cara nova” no sentido partidário, a expectativa é de uma dinâmica mais fluida para os projetos do Poder Executivo. Para o eleitor, o recado é claro: as alianças de 2026 começaram a ser escritas agora. A política pernambucana, marcada pelo equilíbrio entre Raquel Lyra e João Campos, entra em uma fase de alta voltagem, onde cada apoio na Alepe terá reflexo direto nas ruas e nas urnas.

















