
O triunfo crítico do cinema nacional em outras terras reposiciona a cinematografia brasileira no cenário mundial, demonstrando ao mundo que “Yes” nós temos cinema, cinema para dar e vender. Outro aspecto fundamental dessa conquista é o reconhecimento da qualidade técnica, estética e narrativa de nossas histórias, que finalmente recebem a atenção e a valorização merecidas nos principais festivais e premiações internacionais. Pelo segundo ano consecutivo, o cinema brasileiro brilha em terras estrangeiras e ganha relevância internacional, mas a pergunta que fica no ar é inevitável: será que vamos manter o ritmo da produção nacional? A resposta para essa questão passa necessariamente pela compreensão de um fato incontestável: quando usado de forma correta, o dinheiro público abre oportunidades, gera emprego e renda, fortalecendo toda uma cadeia produtiva que vai muito além das telas.
O filme “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, que conquistou dois Globos de Ouro e foi escolhido para representar o Brasil no Oscar 2026, recebeu financiamento do Fundo Setorial do Audiovisual, mecanismo gerido pelo Ministério da Cultura e pela Agência Nacional de Cinema. Esse investimento público não foi dinheiro jogado fora, como querem fazer crer os detratores da cultura nacional, mas sim uma aplicação estratégica que coloca o Brasil no mapa do cinema mundial. O reconhecimento internacional dessas produções comprova que o apoio governamental ao audiovisual funciona quando há critérios técnicos, transparência nos editais e compromisso com a qualidade artística. O setor audiovisual brasileiro emprega milhares de pessoas, movimenta a economia criativa e contribui significativamente para o PIB nacional, além de projetar internacionalmente a imagem e a identidade cultural do país.
O governo federal anunciou investimento histórico de 1,6 bilhão de reais para o setor audiovisual, o maior da série histórica, destinado à produção de filmes e séries brasileiras. Esse montante representa não apenas um reconhecimento da importância cultural do cinema, mas também uma compreensão de que a indústria audiovisual é estratégica para o desenvolvimento econômico e social do país. As leis de incentivo, como a Lei Rouanet, a Lei do Audiovisual e a Lei Paulo Gustavo, têm sido fundamentais para viabilizar produções que, de outra forma, jamais chegariam às telas. Essas ferramentas não substituem o papel do Estado na garantia de direitos fundamentais como saúde e educação, mas complementam a atuação governamental na promoção da cultura, que também é direito constitucional do cidadão brasileiro.

O cinema brasileiro é extremamente rico e não “mama nas tetas do governo”, como afirmam os críticos mal-intencionados ou desinformados. Na verdade, o audiovisual injeta lucro importante na economia, gera milhares de empregos diretos e indiretos, e ainda promove o Brasil lá fora, atraindo turismo e investimentos. Quando uma produção nacional vence em festivais internacionais ou é indicada ao Oscar, o país inteiro ganha visibilidade positiva. É preciso entender o audiovisual também como indústria, uma indústria que presta contas, que gera retorno financeiro e que, com o apoio adequado, pode crescer ainda mais e competir de igual para igual com as grandes produções internacionais.
O momento atual do cinema brasileiro mostra que o investimento público bem direcionado traz resultados concretos, mas é necessário garantir a continuidade dessas políticas para que o triunfo internacional não seja apenas um momento de glória passageira, mas sim o início de uma trajetória consolidada de excelência e reconhecimento mundial.

















