Literatura de Cordel com Jefferson Moisés

23 de setembro de 2025

O podcast entrevistou Jefferson Moisés, poeta e cordelista, explorando a história, as regras e a modernização da literatura de cordel nordestina, sua importância na educação e o uso das redes sociais para divulgar a arte.

Este episódio do podcast Vivência, foi ao ar em outubro de 2021, apresenta uma conversa rica e informativa com Jefferson Moisés, um jovem e talentoso poeta e cordelista de Caruaru. A entrevista mergulha profundamente na história da literatura de cordel, destacando as diferenças cruciais entre sua origem europeia (associada a notícias penduradas em cordões) e sua evolução no Nordeste brasileiro, onde adquiriu características únicas como a métrica, a rima e a predominância da sextilha (estrofe de seis versos). Jefferson explica essas regras com clareza, comparando o cordel com outras formas poéticas como o rap e o repente, salientando as similaridades e diferenças.

Um ponto crucial da conversa é o papel do cordel na educação. Jefferson destaca o sucesso do cordel como ferramenta pedagógica, facilitando o aprendizado de português e outras matérias consideradas complexas. Ele compartilha sua própria trajetória, iniciada com a declamação de poesias na infância e seu posterior aprofundamento no estudo da literatura de cordel.

A entrevista também aborda a modernização e a divulgação do cordel na era digital. Jefferson discute como o uso de plataformas como YouTube (com seu canal “Fala Macho”) e Instagram (“Jéferson.Declamador”) expandiu o alcance da sua arte e da literatura de cordel em geral, permitindo a interação com o público através de pelejas virtuais e a divulgação de poesias que antes estavam restritas a livros pouco acessíveis. Ele menciona o uso de vídeos curtos no Reels e a criação de um CD e DVD com poesias autorais e de outros poetas que admira.

Por fim, a conversa toca em questões de preservação cultural. Jefferson lamenta a falta de espaços adequados para a prática e divulgação do cordel em Caruaru, mencionando o fechamento da Casa do Cordel na estação ferroviária e a necessidade de projetos como “Cordel nas Escolas” para garantir a continuidade da tradição. A entrevista termina com uma reflexão sobre a fé e a importância da arte como ferramenta de comunicação e transformação social, reforçando a mensagem de esperança e a necessidade de perseverança na preservação da cultura nordestina.

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