Juventudes periféricas do Recife conectam democracia, direitos e cotidiano em nova campanha política

21 de setembro de 2026

Foto de Paloma Lima

O direito de transitar em segurança pela cidade, a espera no ponto de ônibus, a busca por uma vaga de estágio e a participação nas decisões da comunidade. É a partir do letramento político sobre esses dilemas concretos que a Escola da Democracia lançou a campanha “Eu colo no corre da Democracia”.

A iniciativa, apresentada no Dia Internacional da Democracia (15 de setembro), tem como objetivo aproximar o conceito de democracia e o exercício da cidadania da vida diária das juventudes — com foco especial em meninas e jovens mulheres de territórios periféricos da Zona Norte da capital pernambucana.

Muito além do período eleitoral

A proposta busca desmistificar a ideia de que a política acontece apenas dentro de gabinetes ou em períodos eleitorais. A campanha demonstra que o processo democrático perpassa a ocupação dos espaços públicos, o direito a uma vida sem violência, o cuidado com o território e a construção coletiva das cidades.

“Quem tem 16 anos no Alto Santa Terezinha já lida com política muito antes de entrar numa cabine de votação. Lida quando espera o ônibus, quando procura vaga de estágio, quando decide se sai ou não de casa à noite. O que o Compaz faz é abrir espaço para essa conversa ganhar nome, informação e companhia”

Rafael Arruda, secretário de Cidadania e Cultura de Paz do Recife.

Embora amplie a visão sobre cidadania, a iniciativa também foca na orientação para o voto consciente no pleito de 2026. Entre os eixos centrais de informação da campanha, estão:

  • Estrutura dos poderes: esclarecimento sobre os cargos em disputa;

  • Segurança do processo: reforço na confiança e no funcionamento das urnas eletrônicas;

  • O papel do Legislativo: atenção especial à eleição para o Senado, que contará com dois votos diferentes por eleitor.

O peso do voto jovem em Pernambuco

A ação responde à necessidade de engajar um segmento populacional decisivo no cenário político atual. Dados do eleitorado apontam a relevância numérica das juventudes:

Recorte Geográfico / Etário Número de Eleitores Aptos
Brasil (Total) 158.745.463
Pernambuco (Total) ~7,2 milhões
Jovens em Pernambuco (16 a 24 anos) 949.983
16 e 17 anos 96.037
18 a 20 anos 327.967
21 a 24 anos 525.979

Pesquisas recentes, como o estudo Juventudes: Um Desafio Pendente (Fundação Friedrich Ebert), revelam um cenário ambivalente: 66% dos jovens brasileiros consideram a democracia a melhor forma de governo, ao mesmo tempo em que 58% concordam que um líder forte poderia resolver problemas melhor do que as instituições ou partidos tradicionais. Diante disso e do papel das redes sociais na formação de opinião dessa faixa etária, a campanha atua como um contraponto crítico para a reflexão política.

Protagonismo feminino na produção de conteúdo

Um dos pilares da campanha é garantir que as próprias jovens deixem de ser apenas espectadoras para se tornarem criadoras das mensagens. Um grupo de 20 meninas formadas pelas primeiras turmas da Escola da Democracia iniciou uma etapa de aprofundamento em Educação para a Cidadania, assumindo a produção do material que circulará na campanha.

A formação aborda eixos como justiça interseccional, meio ambiente, comunicação, direitos e participação política.

“A campanha dialoga com uma das apostas centrais da Escola da Democracia: fortalecer meninas e jovens mulheres para que reconheçam quem são, compreendam os lugares de onde falam, desenvolvam autonomia para se posicionar e ampliem sua capacidade de participar das decisões que atravessam suas vidas”

Madalena Rodrigues, diretora executiva da Escola da Democracia.

Ações de rua e ocupação da cidade

A divulgação do projeto combina presença digital e intervenções físicas. Além de peças circulando no WhatsApp, redes sociais, rádios e cartazes espalhados pela Zona Norte, a campanha promove no dia 2 de outubro uma intervenção no Centro do Recife.

A programação contará com um passeio de barco pelo Rio Capibaribe acompanhado de projeções urbanas, utilizando a própria geografia da cidade para simbolizar que o exercício da cidadania se faz ao circular, ocupar e viver o Recife.

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