
O cenário musical do Nordeste tem nomes que moldam sua identidade mesmo quando estão longe dos holofotes principais. No episódio #065 do BPNCast, apresentado por Paulo, o convidado de honra foi o cantor, compositor e produtor Humberto Bonny. Natural de Bonito, mas caruaruense de coração, Bonny relembrou seus mais de 40 anos de estrada em um bate-papo marcado por nostalgia, verdades duras sobre o mercado atual e histórias de bastidores com grandes ícones da nossa música.
Com uma trajetória que começou nos bailes dos anos 80, passou pela sapataria e alcançou o topo das paradas nacionais — sendo ele o autor de “O São João de Outrora”, canção que coroou a banda Fulô de Mandacaru no cenário nacional —, Humberto Bonny abriu o coração sobre o que o move: a paixão visceral pela cultura raiz.
Do Santa Rosa para os Palcos: O Começo na Raça
Durante a entrevista, Bonny relembrou com carinho e bom humor suas origens na periferia de Caruaru, no bairro Santa Rosa. Sem formação musical teórica, ele se define como um legítimo autodidata que aprendeu a tocar e cantar “na tora”.
“Eu sentia que era um passo que eu ia dar para estar no palco. Comecei carregando caixas pesadas… tenho até um desvio na coluna hoje por causa disso”, brincou o artista.
Sua grande chance surgiu em uma substituição de última hora na banda de Helene Mamão, onde Bonny, que já decorava todo o repertório nos bastidores, assumiu o microfone principal e nunca mais desceu dos palcos. Ele também relembrou o apoio crucial que recebeu de sua mãe ao cantar suas primeiras composições e a primeira oportunidade em cima dos caminhões de São João dada por Seu Lídio Cavalcante.
O Arquiteto dos Bastidores: A Parceria com Mestre Azulão
Embora seja um intérprete de mão cheia, Bonny revelou que sua verdadeira paixão está nos bastidores: na produção musical. Ele foi o responsável por idealizar e produzir o histórico primeiro DVD do Mestre Azulão no Teatro do Sesc, um dos maiores desafios de sua carreira.
Bonny se emocionou ao falar do amigo e ícone caruaruense, relembrando as visitas que Azulão fazia à sua casa e o orgulho de ver o mestre gravando composições de sua autoria, como a faixa “Vida Dura”. Para ele, Azulinho (filho de Azulão) é o legítimo herdeiro desse legado que jamais pode ser esquecido.
Crítica Ácida ao “Novo São João”: “Cultura do Bolso Cheio”
O ponto mais forte da entrevista foi quando Humberto Bonny assumiu sua postura bairrista e criticou duramente os rumos dos festejos juninos no Nordeste. Para o produtor, a essência do forró tradicional está sendo sufocada por interesses puramente comerciais de grandes escritórios, muitos deles vindos de fora da região.
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Identidade Sufocada: O compositor lamentou a ausência de ícones como Flávio José e Santana de programações principais pelo Nordeste.
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Descaracterização Visual: Criticou a substituição da decoração tradicional (como os balões de Flávio) por marcas comerciais redondas: “Falta camarada de pulso para bater o pé. A maioria só quer dinheiro”.
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A Defesa do Jovem: Bonny defendeu que a juventude gosta, sim, do forró autêntico e de dançar “agarradinho”, mas precisa ter acesso a isso. “Um povo sem cultura é um povo sem identidade, é um aglomerado de gente besta correndo atrás do que não entende e achando bom”, disparou.
Conectados, mas Isolados
Em tom de desabafo sobre os tempos modernos, o artista também criticou o uso excessivo das redes sociais e celulares, que, segundo ele, criaram “ilhas” dentro das próprias casas, afastando as famílias do olho no olho e da verdadeira comunicação. Para fechar com chave de ouro, ele divertiu a audiência contando suas táticas “raiz” e nada ortodoxas para impor limites e educar os filhos homens no passado.
Com cinco CDs e dois DVDs na bagagem, Humberto Bonny se despediu reafirmando sua identidade: um eterno guerreiro da noite, batalhador da música e defensor ferrenho do habitat nordestino.
Assista à Entrevista Completa
Ficou curioso para conferir todas as histórias de Humberto Bonny no BPNCast? Dê o play no vídeo abaixo e acompanhe esse mergulho na história do forró e da comunicação de Caruaru:


















Uma resposta
Artista que tenho muito apreço.