
O Brasil segue registrando números alarmantes de feminicídios, crime que cresce ano após ano e que ocorre majoritariamente dentro de casa. É nesse cenário que o educador e pesquisador Hugo Monteiro Ferreira lança Agora o meu chão são as nuvens (Autêntica Editora, 2025), livro que analisa como estruturas familiares patriarcais, violentas e emocionalmente adoecidas contribuem para a escalada da violência contra mulheres.
Ao longo da obra, Hugo utiliza mais de duas décadas de pesquisas com mulheres vítimas de violência doméstica, adolescentes em situação de vulnerabilidade e famílias marcadas pelo trauma para demonstrar que a casa — onde deveria haver proteção — ainda é o espaço mais perigoso para muitas mulheres. O autor mostra como agressões físicas, psicológicas e simbólicas praticadas dentro do lar deixam marcas profundas também em crianças e adolescentes, que crescem naturalizando comportamentos violentos.
O livro evidencia que o feminicídio não começa no ato final, mas sim na cultura familiar que sustenta o machismo, a posse, o controle e a desumanização da mulher. Hugo destaca ainda a urgência em educar meninos para a sensibilidade, o respeito e a equidade, rompendo com modelos que associam masculinidade à dominação e que alimentam ciclos de agressão.
Além de denunciar, a obra propõe caminhos: diálogo, escuta ativa, relações afetivas saudáveis, equidade de gênero e a construção de ambientes familiares menos rígidos e mais acolhedores. Para Hugo, “não haverá redução de feminicídios sem uma mudança profunda na maneira como as famílias educam seus filhos”.
Agora o meu chão são as nuvens chega ao público como um alerta necessário e um convite à transformação, num país que ainda perde vidas diariamente para a violência de gênero.
















