Habemus Chapa: A Fumaça Branca e os Excomungados de Pernambuco. por João Américo de Freitas*

19 de março de 2026

O conclave convocado pelo “camerlengo” João Campos em Brasília, a portas fechadas e longe dos olhos do eleitor, finalmente soltou a sua fumaça branca. Acabou a Sede Vacante na chapa da Frente Popular. O acordo foi costurado na “clausura” dos gabinetes da capital federal, com a presença de cardeais de peso do “Colégio Cardinalício”, como Carlos Lupi (PDT) e Edinho Silva (PT), e recebeu a bênção suprema e definitiva do pontífice Luiz Inácio Lula da Silva.

Nessa liturgia do poder, a hóstia foi dividida com pragmatismo. O ministro Silvio Costa Filho (Republicanos), que brigava ferozmente por um lugar ao sol na chapa majoritária, teve sua fatura liquidada com um prêmio de consolação familiar: a inclusão de seu irmão, Carlos Costa, na composição. É a velha política do “se não vou eu, vai o meu”, sacramentada no altar das conveniências para manter a aliança de pé.
Mas, como em todo conclave, para que alguns vistam a púrpura, outros precisam ouvir o fatídico Extra Omnes – “Todos para fora”. “Cardeais Elegíveis” como Eduardo da Fonte (PP) e Miguel Coelho (União Brasil) encontraram as portas da Capela Sistina trancadas. Ficaram sem a tão sonhada vaga ao Senado. Resta agora a esses líderes o confinamento na “Sala das Lágrimas”, aquele cômodo onde os derrotados vestem a resignação. A grande dúvida que paira no ar denso de incenso é: após receberem a extrema-unção de suas candidaturas majoritárias, eles virão a público beijar o “anel de pescador” de João Campos ou vão procurar outro altar para rezar?

Essa movimentação brusca e antecipada joga a pressão inteira para o outro lado da praça. A governadora Raquel Lyra, agora na figura de “camerlengo” de sua própria base, é obrigada a convocar o seu “conclave”. Do lado de Raquel é quem vive, neste momento, a sua “Sede Vacante” para o Senado e vice. Raquel terá a frieza de recolher os excomungados do PSB para fortalecer sua chapa? O tempo e a liturgia do Palácio do Campo das Princesas dirão se a fumaça branca dela sairá rápida ou se a base governista vai asfixiar na espera.

No fim das contas, a missa é rezada, o cálice é dividido entre os mesmos de sempre, e o povo pernambucano segue exatamente onde sempre esteve: assistindo do lado de fora da praça, esperando um milagre. Sobram articulações, sobram acordos de cúpula, sobra saliva gasta em Brasília. Mas, proposta real para a segurança, para a saúde e para a fome em Pernambuco? Até agora, silêncio sepulcral. Amém.

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