
Neste ano de 2026, completa-se uma década de falecimento de Reginaldo Melo, professor, poeta e militante político e ambiental com forte atuação em Caruaru. Vitimado por um câncer, sua morte foi em 29 de fevereiro de 2016, às 11h20. Sua história e seu legado merecem ser lembrados, para serem conhecidos pelas novas gerações.
Militante político e ambiental, Reginaldo Melo distinguia-se pelo epíteto de “educador social”. Acreditava na conscientização das pessoas como o caminho para construção de uma sociedade mais justa. Utilizava a literatura de cordel como ferramenta de difusão de conteúdos. Uma das suas estrofes, trago na memória, assim dizia:
Houve uma eleição
Há dois mil anos atrás,
O povo desinformado
Não sabe nunca o que faz.
Pense um pouco sobre isto:
Condenaram Jesus Cristo,
Libertaram Barrabás.
Uma das suas principais bandeiras era a melhoria da situação do Rio Ipojuca. Denunciava a “ingratidão” da sociedade para com o Ipojuca. O rio contribuiu essencialmente para o desenvolvimento das cidades por onde passa, mas as águas que geraram progresso receberam esgoto, resíduos e poluição como “presente”. A maior preocupação do ambientalista era não manter-se omisso diante deste cenário. E assim convocava outros a refletirem sobre este cenário e agirem para modificá-lo:
Não cometa o crime da omissão,
Pois é fácil você olhar de lado;
Mas um dia também será cobrado
Por seu filho, seu neto ou irmão…
Quando alguém lhe fizer indagação:
“Pela vida, qual foi sua defesa?”
Vai doer a cabeça e, com certeza,
Refletir sobre a sua posição.
Diga ‘sim’, a favor da natureza,
E una-se contra a poluição.”
Nítida era sua apreciação por Caruaru, que lhe serviu de inspiração para cordéis que falavam sobre temas como a Feira e o Alto do Moura, porém nasceu em Palmares-PE, a Terra dos Poetas, no dia 30 de junho de 1947. Contudo, para além das designações gentílicas, autodenominava-se “Cidadão do Mundo”, até porque suas preocupações enfocavam a humanidade como um todo. O enaltecimento da instrução e a preservação do meio ambiente são valores que ultrapassam fronteiras.
Também não deixou de expressar um pouco de desânimo diante da conjuntura que via no Brasil, ainda naquela época. Lembrando-se de sua efetiva participação contrária ao regime militar e vendo algumas contradições da redemocratização, proferiu:
“No passado, lutei muito
Para ter DEMOCRACIA…
A corrupção crescendo
Dia e noite e noite e dia.
É bom democratizar;
Mas, do jeito que está,
Tá longe do que queria.”
Reginaldo Melo era formado em Ciências Sociais e em Educação Física, tendo participado da educação de várias gerações. Era representante da Sociedade Civil nos Comitês das Bacias Hidrográficas e um dos fundadores da Academia Caruaruense de Literatura de Cordel. Era cristão convicto e professava sua fé por onde passava. Casado com Maria José, foi pai de quatro filhos.
Certamente, uma das maiores lições deixadas por ele através é a reflexão sobre propósito e legado. Dizia ele que Deus não nos fez para unicamente trabalharmos e pagar contas, mas para realizar obras importantes, impactando positivamente a vida das pessoas que nos cercam.
Jénerson Alves é professor, poeta e jornalista

















