
Da Redação do BPN
Entre os dias 11 e 27 de março de 2026, a Porto Iracema das Artes, equipamento cultural da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult CE) gerido pelo Instituto Dragão do Mar (IDM), será palco da 13ª edição da Mostra de Artes da Porto Iracema (MOPI). Reconhecida como uma das mais relevantes vitrines da produção artística cearense, a MOPI reúne anualmente os resultados dos processos desenvolvidos nos Laboratórios de Criação da escola, que contemplam as linguagens de teatro, dança, música, artes visuais e cinema.
Nesta edição, a programação teatral ganha ainda mais densidade com a presença de curadores e programadores de festivais de diversas regiões do país. Entre os nomes confirmados está Fábio Pascoal, diretor teatral e representante do Festival de Teatro do Agreste (FETEAG), evento que há mais de duas décadas movimenta a cena cultural de Caruaru, no agreste pernambucano. Sua participação na MOPI fortalece o diálogo entre os estados e aponta caminhos para o fortalecimento das artes cênicas no interior do Nordeste.
Durante a mostra, Pascoal acompanhará as apresentações dos seis projetos selecionados no Laboratório de Teatro da Porto Iracema, que tiveram início em agosto de 2025 e agora chegam à cena pública em formato de espetáculos, ensaios abertos ou aberturas de processo. Também integram a programação duas obras especiais: “Maldita”, de Maria Epinefrina, e “Clemente/antes”, de Andreia Pires, ambas resultantes da residência internacional Travessias de Criação Porto – Central, parceria da Porto Iracema com a CRL – Central Elétrica (Portugal).
A MOPI não se limita à exibição de trabalhos. A proposta é promover encontros qualificados entre artistas e agentes culturais, estimulando a troca de experiências e a ampliação de redes de circulação. Além de Pascoal, integram a comitiva nomes como Patrick Pessoa (crítico e pesquisador), Dane de Jade (Festival Internacional de Máscara do Cariri), Dado Sodi (SECULT Recife), Felipe de Assis (Festival Internacional de Teatro da Bahia), Janaina Lobo (Junta Festival) e Nilde Ferreira (Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga). Eles participarão de debates, encontros com os artistas e contribuirão para a reflexão crítica sobre os processos apresentados.

Para Fábio Pascoal, a experiência na MOPI vai além da curadoria. Representante do FETEAG, ele vê na estrutura dos Laboratórios de Criação um modelo potente a ser replicado em Caruaru e região. “O que a Porto Iracema realiza é um trabalho contínuo e profundo de formação e experimentação. Os artistas são acompanhados por tutores ao longo de meses, participam de oficinas, têm tempo e espaço para pesquisa. Isso é algo que falta no Agreste pernambucano, onde a produção teatral é intensa, mas carece de políticas públicas estruturantes. Levar esse modelo para Caruaru seria um salto qualitativo imenso para a cena local e para o próprio FETEAG, que poderia se tornar não apenas um festival, mas um polo de criação”, avalia.
A fala de Pascoal encontra eco na realidade de Caruaru, cidade com tradição cultural reconhecida, mas que ainda enfrenta desafios no que diz respeito à continuidade de processos formativos e à circulação de suas produções. A implantação de um laboratório nos moldes da Porto Iracema poderia significar a criação de um ciclo virtuoso: formação qualificada, produção consistente e visibilidade ampliada para os artistas da região.
Com curadoria atenta e programação diversificada, a 13ª MOPI reafirma o papel da Porto Iracema como referência nacional em formação e criação artística. Mais do que um evento, a mostra se consolida como um território de encontro, troca e projeção para o teatro cearense e nordestino. E, com a presença de agentes como Fábio Pascoal, amplia-se também a possibilidade de que experiências bem-sucedidas como essa inspirem novos modelos de fomento à cultura em outras regiões do país.
A programação completa da MOPI13 está disponível no site oficial da Porto Iracema das Artes.


















Uma resposta
Não só representa o Feteag mas o fazer teatral Caruaruense