Exposição de Pedro Índio entra nos últimos dias no Compaz Ariano Suassuna

2 de outubro de 2026

Exposição Crédito – Ivelise Buarque

Quem ainda não visitou a exposição “Pernambuco: Folclore e Folguedos”, do artista Pedro Índio, tem até o próximo dia 17 de outubro para conhecer a mostra instalada na Galeria Pedra do Reino, no Compaz Ariano Suassuna, no bairro do Cordeiro, Zona Oeste do Recife. Com entrada gratuita, a exposição reúne pinturas inspiradas em algumas das mais representativas manifestações da cultura popular pernambucana e chega à reta final depois de ocupar o equipamento público desde o início de setembro.

Maracatu, frevo, pastoril, ciranda e outras expressões que atravessam a história e a identidade cultural de Pernambuco ganham cores, movimentos e personagens nas obras do artista. A mostra propõe um percurso pelas tradições populares do Estado e aproxima crianças, jovens, educadores, pesquisadores, moradores e visitantes de manifestações transmitidas entre gerações e mantidas vivas pelo trabalho de mestres, brincantes, grupos e comunidades.

Nas telas, Pedro Índio registra indumentárias, instrumentos, ritos, danças e personagens por meio de uma linguagem que transita entre o realismo e o simbolismo. Mais do que reproduzir cenas festivas, o artista busca evidenciar os sentidos históricos, sociais e afetivos dessas manifestações, ressaltando a cultura popular como patrimônio vivo, capaz de se transformar sem perder suas referências.

A exposição também contribui para explicar as diferenças e conexões entre folclore e folguedo. O primeiro reúne crenças, histórias, costumes, conhecimentos e modos de fazer compartilhados pelas comunidades, enquanto os folguedos materializam parte desse universo em manifestações coletivas que envolvem música, dança, representação, religiosidade, celebração e convivência.

Em Pernambuco, essas tradições carregam influências indígenas, africanas e europeias e permanecem em constante transformação. Ao ocupar um equipamento público voltado à cidadania e à convivência social, a exposição amplia o acesso às artes visuais e leva para o cotidiano das famílias um recorte da diversidade cultural pernambucana.

Pintor, escultor, entalhador, compositor e músico, Pedro Índio nasceu no Recife, vive em Olinda e é descendente do povo Fulni-ô, de Águas Belas, no Agreste pernambucano. Essa ligação com diferentes territórios e referências culturais atravessa sua produção artística, marcada pela pesquisa sobre raízes populares, memória, identidade e saberes tradicionais.

Para a curadora e gerente da Galeria Pedra do Reino, Ana Veloso, a exposição permite ao público reconhecer, por meio da arte, “a riqueza e a diversidade das tradições populares que permanecem vivas e se renovam no tempo”.

A reta final da mostra também reforça a discussão sobre a necessidade de preservar manifestações que enfrentam dificuldades para manter sedes, conservar acervos, renovar seus integrantes e garantir condições de trabalho aos mestres e brincantes. Ao transformar essas referências em pinturas e registros editoriais, Pedro Índio contribui para documentar práticas culturais que ultrapassam os períodos festivos e fazem parte da formação histórica e social de Pernambuco.

Das telas para o livro – A exposição está diretamente relacionada ao livro “Pernambuco: Folclore e Folguedos”, relançado durante a abertura da mostra, em 1º de setembro. A publicação reúne 35 obras de Pedro Índio e uma pesquisa sobre manifestações culturais pernambucanas, acompanhada por textos do historiador Antonio Campos.

Lançado originalmente em novembro de 2024, durante a Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto), o livro integra um projeto de circulação e valorização da cultura popular incentivado pela Lei Rouanet. A publicação reúne imagens e informações sobre manifestações como caboclinho, ciranda, frevo, pastoril e maracatu.

Direcionada a estudantes, professores, pesquisadores, turistas e leitores interessados na diversidade cultural do Estado, a obra também incorpora recursos de acessibilidade, com conteúdos em audiodescrição e material em inglês, ampliando o alcance para pessoas com deficiência visual e leitores estrangeiros.

Nos últimos dias da exposição, o público tem a oportunidade de fazer esse percurso entre arte, memória e pesquisa, observando nas telas manifestações que continuam ocupando ruas, terreiros, praças e comunidades pernambucanas. A mostra “Pernambuco: Folclore e Folguedos” permanece aberta à visitação gratuita até 17 de outubro, na Galeria Pedra do Reino, no Compaz Ariano Suassuna, no Cordeiro.

SERVIÇO

Exposição “Pernambuco: Folclore e Folguedos”, de Pedro Índio

Período: até 17 de outubro de 2026

Visitação: diariamente, das 9h às 17h

Local: Galeria Pedra do Reino — Compaz Ariano Suassuna

Endereço: Avenida General San Martin, 1.208, Cordeiro, Recife

Entrada gratuita

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