Entre a Fiscalização e o Espetáculo: CPIs em Pernambuco e Brasília Exigem Maturidade Política. Por João Américo de Freitas

25 de agosto de 2025

A Constituição Federal, no artigo 2º, estabelece um princípio fundamental: os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário devem ser independentes e harmônicos. Um ideal essencial, mas que muitas vezes se perde no dia a dia político — e a cena atual mostra isso com precisão.

Em Brasília, a recém-instalada CPMI do INSS tem potencial para se transformar em um fantasma eleitoral para o governo Lula. Investigando um esquema de fraudes que desviou cerca de R$ 6,3 bilhões dos benefícios de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024, a comissão agora está sob comando da oposição — com o senador Carlos Viana presidindo e o deputado Alfredo Gaspar como relator — numa configuração que deixa o Executivo em clara defensiva. Há, inclusive, quem já classifique o colegiado como uma nova “CPI da Covid”, destinada a criar uma narrativa de desgaste político contra o governo.

Em Pernambuco, paralelamente, a Assembleia Legislativa instaurou sua 37ª CPI em quase 200 anos para apurar contratos publicitários do governo estadual, em especial um licitado em até R$ 1,2 bilhão à empresa E3, supostamente ligada ao primo da governadora Raquel Lyra. A escolha da presidência e da sua instalação foram marcadas por controvérsias, trocas partidárias e questionamentos sobre o processo — tudo à vista dos cidadãos.

Esses episódios, tanto no âmbito federal quanto no estadual, deixam claro que as CPIs, instrumento legítimo de fiscalização, podem se converter em palco de disputas políticas — se não conduzidas com equilíbrio, transparência e compromisso com a verdade. Já provamos que nem todas resultam em pizza: Collor caiu após a CPI do PC Farias; José Dirceu foi à rua após as apurações nos Correios. Mas essas vitórias da democracia só acontecem quando há pressão social e vontade política concretas.

O que o Brasil — e Pernambuco — não suporta é espetáculo vazio. O país precisa de investigação séria, respostas responsáveis — e não palanques antecipados de campanha. Entre acusações e defesas, o povo continua à espera: de saúde, educação, segurança, renda. É esse o quadro que merece nossa atenção.

Precisamos, então, de mais maturidade institucional. Que as CPIs sejam usadas como ferramentas de justiça, não armações políticas. O povo, esse sempre presente, exige que os Poderes dialoguem com equilíbrio, sem teatros, em diálogo fiel ao interesse público — porque o verdadeiro propósito de todas as investigações deve ser o bem-estar da sociedade.

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