
O Instituto Histórico de Caruaru (IHC) celebrou, neste último sábado, sua “maioridade”. Ao completar 18 anos de fundação, a instituição realizou uma solenidade marcada pela renovação e pelo reconhecimento àqueles que eternizaram a história da “Capital do Agreste”.
Novos Sócios Efetivos
Pela primeira vez em sua história, o IHC realizou a escolha de novos membros por meio de voto secreto em assembleia democrática. Os cinco novos associados empossados são:

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Anderson Silva (Anderson do Pife): Mestre em educação, músico e gestor cultural.
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Hélio Florêncio: Engenheiro civil e detentor de um vasto acervo fotográfico histórico.
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Valéria Saboia: Advogada, produtora cultural e idealizadora da Casa Poética.
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Teresa: Mestra em Educação e pesquisadora das tradições afro-brasileiras.
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José Adilson: Doutor em Sociologia e escritor com 11 livros publicados..
Homenagem a Paulo Santos

O evento prestou uma emocionante homenagem ao fotógrafo Paulo Santos, cujas lentes registraram décadas da evolução urbana e social de Caruaru. A família do homenageado, incluindo sua esposa Maria do Rosário e sua filha Rossana Paula Santos, esteve presente para receber o reconhecimento póstumo. A família retribuiu o gesto com Walmiré Dimeron.
Presença Institucional

O prefeito em exercício, Bruno Lambreta, compôs a mesa de honra ao lado da presidente do IHC, Edivalda Leite Miranda. Em sua fala, a presidente destacou que, apesar de jovem (18 anos), o Instituto já possui uma trajetória sólida na preservação da memória caruaruense, seguindo a tradição dos grandes institutos históricos do Brasil. Relembrou sua trajetória ligada ao IHC, destacando que participou da votação que tornou a instituição de utilidade pública em 2009.
Em um anúncio importante para o patrimônio da cidade, Lambreta informou que a atual sede do Poder Legislativo (Casa José Carlos Florêncio) passará a abrigar a Secretaria de Assistência Social, mas que a vizinhança sentimental com a ACACIL e o IHC permanece inabalável. “Retorno a esta casa com o amadurecimento de quem entende a complexidade de gerir uma cidade do tamanho de Caruaru”, pontuou.
“A história pertence a todos”: Novos sócios do IHC destacam inclusão e memória em discursos emocionantes
Vozes que ecoam a resistência
Cada novo membro discursou de modo eloquente. Mas um dos momentos mais impactantes foi o discurso da professora Teresa Raquel Silva. Primeira mulher negra a ocupar um assento no IHC, ela destacou o simbolismo de estar em um prédio que outrora abrigou uma senzala. “Hoje eu atravesso essa porta como sujeito da história. Não venho pedir licença à memória, venho ampliá-la”, afirmou, emocionando os presentes ao dedicar sua posse às mulheres negras e periféricas.

Experiência e Rigor Acadêmico – foi destaque pelo professor e doutor José Adilson Filho, belo-jardinense radicado em Caruaru, ressaltou sua paixão pela cidade e a necessidade de tirar do silêncio os personagens “invisibilizados” da história local. Já o engenheiro Hélio Fernando Florêncio reafirmou que sua entrada no Instituto não é um ponto de chegada, mas um compromisso com o método e a verdade histórica, unindo modernidade e tradição.
O músico, Anderson Silva, ressaltou que o momento coloca em evidência aqueles que operaram, na condição da narrativa dominante: “A história oficial só é plena quando se atravessa por vozes oficiosas, por onde emerge também a revelia do elemento”. Valéria Sabóia, produtora cultural, demonstrou respeito pelo patrimônio imaterial (a sabedoria) e material deixado pelos pioneiros do IHC, o que é a própria essência da preservação da memória: “Por mais que eu me dedique a esse Instituto Histórico será muito pouco diante do aprendizado com essas pessoas que chegaram antes”.

18 Anos de Luta pela Memória
O vice-presidente Valmiré Dimeron e o diretor Josué Eusébio apresentaram um resumo da trajetória do IHC desde sua fundação em 1º de março de 2008. Eles lembraram que o Instituto nasceu do desejo de figuras como Anastácio Rodrigues de evitar perdas arquitetônicas e culturais, tendo como patrono o fundador da cidade, José Rodrigues de Jesus.
O encerramento da celebração de 18 anos do Instituto Histórico de Caruaru (IHC) foi marcado por discursos que reforçaram a integração regional e a continuidade do apoio institucional à preservação da memória.
Intercâmbio Cultural

Garanhuns e Caruaru
O pesquisador Igor Cardoso, representando o Instituto Arqueológico de Pernambuco e o Instituto de Garanhuns, celebrou os laços entre as duas cidades. Como gesto concreto de apoio à pesquisa local, Igor realizou a doação de obras raras de autores como Claribalte Passos, Joel Pontes e Austregésilo de Athayde para o acervo do IHC. “A sedução de Caruaru pega todos nós; é uma potência cultural impossível de não se seduzir”, afirmou.
Parabéns e Corte do Bolo

A representante da Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras – ACACIL, Socorro Maciel, reafirmou que a casa está sempre aberta para iniciativas que respirem cultura. A cerimônia foi finalizada com o tradicional corte do bolo e uma foto oficial reunindo os sócios fundadores e os cinco novos empossados, celebrando a “maioridade” de uma das instituições mais respeitadas do Agreste.
A cobertura deste evento reafirma a missão do Blog BPN em atuar não apenas como um veículo de informação, mas como um parceiro ativo das entidades que salvaguardam a identidade de nossa terra. Valorizar o trabalho do Instituto Histórico de Caruaru e dar visibilidade a momentos como esta celebração de 18 anos é, para nós, um compromisso com o futuro; afinal, acreditamos que uma sociedade que conhece e respeita sua história é capaz de construir um amanhã com muito mais cidadania e orgulho de suas raízes.

















