
No Recife, um dos principais polos de inovação do país, startups de educação vêm redesenhando a relação entre ensino público e empregabilidade. Inseridas no ambiente do Porto Digital, essas edtechs atuam como ponte entre a sala de aula e o mercado de trabalho, com foco no desenvolvimento de competências socioemocionais, hoje determinantes para contratação e permanência profissional.
Nesse cenário, a Plataforma Quark se consolida como um dos principais exemplos desse movimento ao estruturar um modelo de formação voltado a jovens da rede pública. Presente em mais de 100 municípios brasileiros, a edtech combina tecnologia, gamificação e inteligência artificial para oferecer trilhas de aprendizagem personalizadas, alinhadas às exigências do mercado. A proposta responde a uma lacuna recorrente: mais de 70% dos jovens brasileiros afirmam não se sentir preparados para ingressar no mundo do trabalho.
A metodologia da Quark prioriza o desenvolvimento de habilidades como comunicação, inteligência emocional e adaptação a ambientes profissionais. A experiência do usuário é construída a partir de microlearning e recursos interativos, com foco na prática e na aplicação real do conteúdo. “A gente trabalha diretamente na base do problema. Não é só sobre conteúdo técnico, é sobre preparar o jovem para se posicionar, se comunicar e se sustentar dentro de um ambiente profissional”, afirma a cofundadora Ana Uriarte.
Além do modelo pedagógico, os resultados reforçam a escala da operação. A plataforma já reúne mais de 50 mil estudantes ativos, com mais de 80 mil certificados emitidos e 160 mil horas de conteúdo consumidas. Os dados indicam avanço na preparação de jovens para processos seletivos, entrevistas e convivência no ambiente corporativo, especialmente entre integrantes da Geração Z, que enfrentam maior dificuldade de inserção no mercado.
Para o cofundador João Tompson, o crescimento da edtech reflete uma mudança estrutural na educação. “O mercado não está mais olhando apenas para formação técnica. As empresas querem pessoas que saibam trabalhar em equipe, resolver problemas e se adaptar. É isso que a Quark desenvolve de forma contínua e aplicada à realidade desses jovens”, destaca.
O Brasil lidera o ecossistema de edtechs na América Latina, concentrando cerca de 68,9% das startups do setor e respondendo por quase 80% dos investimentos realizados na região entre 2015 e março de 2024, com um total de US$ 475,6 milhões. Os dados fazem parte do estudo “Inovação e educação: um olhar para o futuro”, da Changemaker, que aponta o país como protagonista em inovação educacional, impulsionado por um mercado amplo e por lacunas históricas que estimulam o desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas à aprendizagem.
A pesquisa também indica que o crescimento do setor está diretamente ligado ao avanço da digitalização e ao uso de tecnologias como inteligência artificial, gamificação e ensino a distância. No Brasil, esse movimento ganha força com a alta familiaridade da população com tecnologia: 97% dos internautas conhecem inteligência artificial e 70% afirmam utilizá-la semanalmente.
Ao integrar tecnologia e desenvolvimento humano, iniciativas como a Quark reposicionam o ensino público como espaço estratégico de formação para o trabalho e ampliam as possibilidades de inserção produtiva para milhares de jovens.

















