Editorial: Crônica da Colheita Madura.

13 de dezembro de 2025

A luz da manhã, hoje, tem um matiz diferente. Não é o brilho urgente da juventude, mas o calor sereno do meio-dia que se alonga. Sento-me à janela, e o tempo, que antes corria como um rio caudaloso, agora me permite observar as margens, as pedras, as raízes fincadas.

Gratidão, Senhor, por esta idade.

Chego a este patamar não ileso. As marcas no rosto são mapas de batalhas vencidas e, confesso, de derrotas que ensinam mais que qualquer vitória fácil. Há limitações, sim. O corpo já não obedece com a mesma pressa, e a memória, por vezes, me prega peças. Mas é justamente nesse espaço deixado pela falha que a Tua graça se manifesta com mais clareza.

Pois a juventude nos dá a força para plantar; a maturidade, no entanto, nos concede o tempo e a perspectiva para entender o que realmente vale a pena colher. E o que colho hoje não é ouro, mas sim o conhecimento Aplicado. Cada tropeço virou lição, cada erro, um degrau. Não é apenas saber, mas ter a coragem de usar o saber para iluminar o caminho dos que vêm atrás.

A jornada me ensinou que o verdadeiro alicerce não é a riqueza acumulada, mas a Integridade mantida. É poder olhar para trás, para as decisões tomadas no silêncio da noite, e saber que não houve desvio por medo ou ganância. A integridade é a bússola que me permite navegar sem me perder no nevoeiro das conveniências.

E no centro de tudo, a maior dádiva: a Generosidade. Descobri que o amor não é um recurso finito; quanto mais se doa – tempo, escuta, paciência – mais ele se multiplica. Seja na mesa de casa, no conselho a um colega, ou no simples ato de ouvir a dor de um amigo, é na entrega que a vida ganha seu verdadeiro propósito.

Agradeço, Pai, por me permitir ser um instrumento imperfeito, mas disposto. Que eu continue a caminhar com a leveza de quem já aprendeu a soltar o que não serve e com a firmeza de quem sabe que a maior herança que deixaremos não são os bens, mas a forma como tratamos uns aos outros.

Que a minha fé continue a ser a raiz que sustenta a árvore, mesmo quando os ventos da vida tentarem me dobrar.

Paulo N. A. Lima

13/12/2025

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