
O espetáculo da Paixão de Cristo em Nova Jerusalém, no Agreste de Pernambuco, não é apenas o maior teatro ao ar livre do mundo; é um organismo vivo que precisou se adaptar profundamente para atravessar décadas. Neste 4º e último recorte, da entrevista de Robinson Pacheco ao BPN, ele revela detalhes fascinantes sobre como o drama épico deixou de ser uma “reunião de família” para se tornar um gigante do entretenimento e do turismo religioso.
Um Elenco que Nasceu em Casa
No início, o palco de Nova Jerusalém era quase uma extensão da sala de estar da família Pacheco. Robinson recorda que o elenco era formado por parentes: filhos, noras, genros e netos.
“Todos cresceram nesse ambiente. Minhas irmãs, eu, e até irmãos afins que minha mãe adotou… todos participavam de alguma forma”, conta Robinson.
Com o tempo, o espetáculo começou a ganhar corpo com atores amadores vindos de Recife e uma legião de figurantes locais. Hoje, essa força de trabalho ultrapassa 500 figurantes vindos de Fazenda Nova, Brejo da Madre de Deus e Caruaru, mantendo o vínculo comunitário que é a alma da encenação.
A Crise de 1996 e a “Virada de Chave”
Nem tudo foram aplausos. Robinson relata que, em 1996, o espetáculo enfrentou uma crise financeira severa, reflexo do cenário econômico da época. Por ser um evento de massa que exige deslocamento e logística de excursões, a organização percebeu que precisava de um novo fôlego para atrair o público.
A solução veio em 1997 com uma estratégia ousada: trazer atores da mídia nacional para os papéis principais. O impacto foi imediato e avassalador:
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Público em 1996: 23 mil pessoas.
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Público em 1997: 72 mil pessoas.
Essa mudança não apenas salvou o espetáculo, mas o consolidou como um destino turístico obrigatório durante a Semana Santa.

O Desafio da Era Digital: Conectando Gerações
Se nos anos 90 o segredo foi a televisão, hoje o foco está na palma da mão. Robinson destaca que a comunicação atual é voltada para o ambiente mobile, buscando renovar a audiência.
Para atrair o público jovem (atualmente 20% dos espectadores têm menos de 22 anos), a Paixão de Cristo passou a integrar influenciadores digitais e modelos de grande alcance no elenco.
“Hoje o escritório, a televisão e o jornal estão no bolso. A gente convida pessoas ligadas às redes sociais para ter melhor acesso à camada mais jovem”, explica o coordenador.
Preservando a Essência
Apesar das inovações tecnológicas e do marketing de influência, Robinson é enfático: a Paixão de Cristo é uma experiência sensorial que os pixels de uma tela não conseguem reproduzir totalmente. Atualmente, o “público fiel” (cerca de 56%) está na faixa entre 42 e 68 anos, mas a meta é clara: segmentar para crescer, sem perder o impacto emocional que só quem está naquelas muralhas consegue sentir.
Serviço: O espetáculo continua sendo uma das maiores demonstrações de fé e arte do Brasil, provando que, para contar uma história de dois mil anos, é preciso estar com os olhos bem abertos para o futuro.
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