
A magia do São João de Caruaru não se faz apenas com música e cenografia; a dança e o movimento são a alma que preenche os palcos da Capital do Forró. Para entender os bastidores dessa grande maratona cultural, a repórter do BPN, Rislainne Augusta, conversou com o renomado coreógrafo e bailarino Marcos Mercury, que revelou os detalhes da intensa preparação física, as inspirações dos figurinos e a filosofia de valorização da arte regional.
Uma maratona que começa meses antes
Quem vê a sincronia perfeita do balé oficial nos palcos e no “São João na Roça” não imagina o suor derramado meses antes da abertura oficial. Segundo Mercury, os ensaios começaram entre o fim de março e o início de abril, exigindo dedicação total do elenco.
“O balé já começa a ensaiar montando os looks, buscando referências. Foram madrugadas de ensaios e reuniões para chegar hoje e entregar esse São João”, pontuou o coreógrafo. Este ano marca o sétimo aniversário do formato de balé itinerante, que percorre múltiplos polos e acompanha diferentes artistas da grade.
Cangaço e Orgulho Pernambucano na Estética Visual

Questionado por Rislainne Augusta sobre a elaboração dos trajes para enfrentar o ritmo junino, Marcos Mercury explicou que a identidade visual do grupo une tradição e modernidade, bebendo de fontes estéticas muito claras da cultura nordestina.
O figurino principal traz traços da indumentária dos tradicionais bacamarteiros mesclados à estética do cangaço de Lampião e Maria Bonita. “Eu quis mudar um pouco a cor e trouxe as bandeiras e as cores de Pernambuco, já pensando também no projeto ‘Pernambuco Meu País’, que eu amo”, revelou.
O artista também antecipou com exclusividade que o público pode esperar novidades ao longo dos dias de festa, incluindo um look inédito para a apresentação no Alto do Moura inspirado no tema oficial do ciclo junino (com muitas rendas e costuras), além de parcerias de marcas da região, como a Zirapp Jeans, de Toritama.
“O balé não é coadjuvante”
Durante a entrevista, o coreógrafo defendeu de forma enfática o papel de destaque que a dança deve ocupar na cadeia cultural e nos grandes shows, rejeitando a ideia de que os dançarinos servem apenas como plano de fundo.
“Eu sempre digo que o balé no palco, para qualquer artista, não é coadjuvante. O balé tem destaque; ele preenche, dá vida e dá cor ao cantor, à banda, ao show e ao próprio palco”, defendeu Mercury, destacando o sentimento de pertencimento da categoria.
Arte que transforma vidas
Ao encerrar o bate-papo, Rislainne Augusta destacou o impacto social do trabalho desenvolvido por Marcos, ressaltando o profissionalismo que acaba transformando a realidade de muitos jovens através da dança.
Emocionado, Mercury concordou e reiterou o poder transformador da cultura: “A arte transforma vidas, independente da idade”. O coreógrafo aproveitou para elogiar o trabalho de cobertura da equipe de comunicação do BPN e encerrou com seu tradicional grito de orgulho: “Viva a dança, viva a arte, viva a cultura, viva Caruaru!”.

















