
As simbologias podem inspirar os momentos de celebração e relembrar os cônjuges de tudo o que viveram juntos até a data comemorativa. Na noite de hoje, simbolicamente, um casamento que já dura 70 anos (Bodas de Vinho), de João do Pife com seu público, vai fazer o público presente viajar na lembrança dos maiores sucessos da Banda de Pífanos Dois Irmãos (essa com mais tempo de estrada, já caminha para cem anos). Capitaneada pelo mestre João do Pife, um dos nomes mais respeitados da cultura popular nordestina, celebrando dia 20 deste mês seus 82 anos de vida. O show abre as atrações da noite do Polo Azulão, que ainda traz Caju e Castanha e a Tribo de Jah.
Natural do sítio Xambá, em Riacho das Almas, João Alfredo Marques dos Santos nasceu em 20 de junho de 1943 e iniciou sua trajetória musical ainda criança, tocando ao lado do pai e do irmão em novenas e festas religiosas. A tradição da música de pífano em sua família já soma cinco gerações. A Banda de Pífanos Terno da Zabumba, fundada por seu pai em 1928. Após a morte do pai, João e o irmão Severino formaram a banda Dois Irmãos e tornaram-se referência nacional e internacional. Hoje, João continua à frente do grupo, tocando com seus descendentes e continuando a tradição.

A banda possui dois álbuns gravados. Sendo o primeiro “Flutes From Brazil”, gravado na Inglaterra, e o segundo, “João do Pife e Banda Dois Irmãos”, foi lançado no Brasil. Mestre João gravou já o terceiro disco, composto por ele, captado ao vivo, durante a apresentação recente no Alto do Moura, com lançamento marcado para setembro.
Além de músico, João é luthier e artesão. Desde os 16 anos, ele fabrica pífanos e tambores. Trata o bambu, perfura, afina e lixa cada pífano. Para os tambores, retira a madeira da floresta, produz os aros, trata a pele de bode e monta todo o instrumento, incluindo as baquetas, em sua oficina no Bairro do Salgado, em Caruaru. Todo o conhecimento foi transmitido por seu pai, em um processo que mistura técnica, ancestralidade e resistência.
Como compositor, João do Pife já escreveu mais de 50 músicas, entre baiões, xotes, marchas, valsas e cirandas. Vinte delas estão registradas em álbuns anteriores, e outras 25 composições inéditas aguardam gravação. Sua produção se mantém fiel às tradições do Agreste e carrega a essência da música nordestina.
João também é mestre formador, reconhecido nacional e internacionalmente. Já ministrou oficinas em várias regiões do Brasil e em países como França, Portugal, Itália, Suíça, Bélgica, Inglaterra, Holanda, Suécia, Dinamarca, Noruega, Finlândia e Estados Unidos.
Na Califórnia, passou mais de três meses como professor convidado da Universidade da Califórnia. Sua contribuição vai também está presente em formar novas bandas, ensinar a construção de instrumentos e inspirar gerações com sua sabedoria.

Banda de Pífanos Terno de Zabumba
Em 1928, no sítio Xambá em Riacho das Almas, nascia ali, criada pelo pelo mestre Alfredo Marques dos Santos (1913–1997) a Banda de Pífanos Terno de Zabumba. O Mestre Alfredo além de tocar, já confeccionava os pífanos para os músicos que não tinham essa habilidade e para as pessoas que frequentavam as tocadas. A banda costumava tocar nos finais de semana em novenas e festividades, coisa que se assemelha muito ao início da história da banda de pífano dos Bianos.
Mestre Alfredo se casou com Maria Francisca dos Santos, e juntos tiveram 18 filhos, mas devido a condições de vida precárias, 11 morreram prematuramente. Foram criados então 3 filhas e 4 filhos, dos quais apenas 2 dos garotos que seguiram com a tradição de tocar pífano: Severino Alfredo dos Santos e João Alfredo dos Santos (João do Pife). Os meninos começaram a aprender com o pai a tocar e a confeccionar os pífanos, a partir dos 10 anos de idade e com 14 anos já integravam a banda do pai.
Já na década de 80, os irmão Severino Alfredo e João do Pife assumiram a responsabilidade da banda, quando o pai não podia mais, e foi a partir daí que mudaram o nome da banda para “banda de pífanos Dois Irmãos”, dando continuidade ao pedido e a herança que o pai deixou em seguir com a arte que ele tinha começado. Foi nessa mesma época que se mudaram para Caruaru, mesmo sem conhecer a cidade. Seu João começou em Caruaru trabalhando como percussionista na banda de Pífano Cultural de Caruaru (banda de Biu do Pife), e tocava também na feira. João do Pife se casou em 1968 com Luiza regina dos Santos e tiveram 8 filhos, mas apenas 4 seguiram a carreira musical, e o acompanham na banda hoje, formando a percussão da banda Dois Irmãos.
Atualmente quem acompanha seu João na banda de pífano Dois Irmãos é o mestre Marcos do Pífano. E o mestre João do Pife já percebe em seu filho, Alexandre João dos Santos, um continuador do legado que já vai para a a terceira geração, proporcionando a continuidade da tradição do pífano para um futuro próximo.
















