Azulinho celebra dinastia do forró e terceira geração da família no BPNCast

22 de junho de 2026

A dinastia do sangue azul do forró já mira o futuro: Alexandre filho! Foto: Jorge Farias.

O destino costuma costurar suas histórias com linhas bem desenhadas. Nascer em um 13 de dezembro — dia de Santa Luzia e do nascimento do Rei do Baião, Luiz Gonzaga — já seria um sinal forte o suficiente. Mas para o cantor e compositor Azulinho, o chamado definitivo da música veio aos 11 anos, nos bastidores de um show, quando ouviu a voz de seu pai ecoar: “Agora com vocês, o filho de dona Azul: Azulinho”.

A história desse início marcante, os desafios de atualizar a tradição da sanfona e os bastidores da emocionante volta do mestre Azulão aos palcos foram os grandes destaques desse episódio do BPNCast.

Da timidez nos bastidores aos palcos da Virada Cultural

Criado no Monte Bom Jesus e no coração do bairro São Francisco, em Caruaru, Azulinho recordou com emoção a responsabilidade de carregar no peito o legado de seu pai, o mestre Azulão, um dos maiores patrimônios vivos do forró.

“Eu era muito tímido. Quando montava o mapa de palco, eu ficava bem escondido lá atrás fazendo o back vocal. Meu pai percebeu isso e começou a me jogar nos palcos da vida para quebrar a timidez. Se hoje sou o artista reconhecido que sou, é graças a ele”, revelou o cantor.

Hoje radicado no Sudeste, Azulinho colhe os frutos dessa preparação. Em 2026, ele carimbou pelo terceiro ano consecutivo sua participação na Virada Cultural de São Paulo. Ocupando um dos palcos principais da festa, na Praça da Sé, o artista levou a força da poesia popular caruaruense para o público paulista logo após o show da cantora Mariana Aydar, dividindo o line-up com ícones como Zé Geraldo.

A suspensão da aposentadoria e o projeto “Azulão e Convidados”

Um dos momentos mais tocantes da entrevista foi o relato sobre o retorno do mestre Azulão aos palcos. Após anunciar sua aposentadoria em 2022 no Pátio de Eventos Luiz Gonzaga, o patriarca confessou ao filho, na calmaria de seu sítio, que “a vida de não fazer nada era cansativa demais” e que desejava cantar no polo que leva seu nome no São João de Caruaru.

A provocação resultou no aclamado projeto Azulão e Convidados, abraçado pela Fundação de Cultura e pela prefeitura local. O show promoveu um verdadeiro encontro de gerações. De um lado, veteranos e parceiros históricos como Joana Angélica, Gilvan Neves e Brito Lucena; do outro, expoentes da nova cena musical, incluindo Daniel Gonzaga (neto de Luiz Gonzaga), Gabi da Pele Preta, Lula Viegas e a banda Terra Blue. O sucesso foi tanto que o próprio mestre Azulão já cobrou o planejamento da edição para o próximo ano.

Ousadia e Piseiro: Rompendo preconceitos

A veia inovadora também corre nas veias de Azulinho. Assim como o pai chocou os tradicionalistas em 1992 ao gravar a faixa “O Rock do Invocado” em um disco de forró, Azulinho enfrentou resistência ao flertar com o piseiro logo após a pandemia, especialmente com o hit “Emanuela”.

“Fui muito criticado pela turma do forró tradicional, mas eu sou um estudioso da música. O piseiro me deu um respaldo imenso lá fora. Me levou para Eirunipé, no Amazonas, dividindo palco com Barões da Pisadinha e Joelma, e me abriu as portas em Minas Gerais. Não posso ser ingrato com o ritmo”, pontuou o artista, traçando um paralelo com o início da carreira de João Gomes, que também foi contestado e hoje é celebrado pelo meio.

A terceira geração: O Menino Azulão

A dinastia do sangue azul do forró já mira o futuro. O episódio do BPNCast destacou a chegada de Alexandre Filho, neto de Azulão, que em 2026 passou a integrar oficialmente a banda.

Azulinho contou que o talento do filho se manifestou de forma totalmente autodidata quando ele tinha pouco mais de um ano e meio, acompanhando DVDs dos Três do Nordeste com um triângulo improvisado feito pelo avô materno. “O dom nasce com a gente. Este ano ele me pediu uma vaga na banda e já está circulando nos shows comigo e com o vovô”, orgulha-se o pai.

Ao final do programa, em um dinâmico bate-bola, Azulinho reafirmou que o Monte Bom Jesus é sua vida, a sanfona é o símbolo imortal do Nordeste e o forró é o que veste e sustenta sua família. O episódio foi encerrado em grande estilo, com uma apresentação musical ao vivo que trouxe a verdadeira essência das noites de São João para os estúdios do BPNCast.

O episódio completo com Azulinho está disponível no canal do YouTube da BPN TV e nas principais plataformas de streaming.

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