BIENAL DO BARRO DO BRASIL VOLTA A CARUARU COM EXPOSIÇÃO SOBRE TERRITÓRIO, MEMÓRIA E TRANSFORMAÇÃO

3 de novembro de 2026

Em sua 3ª edição, evento reúne dez artistas do Brasil e de Portugal no antigo galpão da Fábrica Caroá, no Armazém da Criatividade, de 3 a 28 de novembro

Caruaru volta a receber, a partir desta terça-feira (3), a Bienal do Barro do Brasil. Em sua terceira edição, o evento apresenta a exposição “Escassez e abundância: rotas de fuga”, que reúne trabalhos de dez artistas brasileiros e portugueses e propõe uma reflexão sobre o barro como território, memória, identidade e força de transformação. A programação segue até 28 de novembro, no antigo galpão da Fábrica Caroá, espaço que integra o complexo do Armazém da Criatividade, com entrada gratuita.

A produção artística de Caruaru ganha destaque nesta edição, com a participação de Ratinho, Terezinha Gonzaga e Tavares da Gaita, falecido em 2009. Nascido em Taquaritinga do Norte e radicado em Caruaru, Tavares tem trabalhos inéditos apresentados na cidade. A presença pernambucana também reúne Adones Valença, de Belo Jardim, e Edson Atikum, de Carnaubeira da Penha. Completam a lista Beatriz Albuquerque, do Porto, em Portugal; Isabela Prado, de Belo Horizonte; Anna Bella Geiger, do Rio de Janeiro; Amanda Nunes, de Ceilândia, no Distrito Federal; e Toni Graton, de Curitiba.

Curadoria – Sob a curadoria e coordenação geral de Carlos Mélo, a Bienal parte do barro para discutir questões que atravessam território, memória, desigualdade e transformação. A proposta questiona representações históricas do Nordeste associadas à escassez, à seca, à pobreza e ao atraso. Também amplia o sentido da escassez para abordar a falta de políticas públicas, investimentos e oportunidades de circulação e reconhecimento para artistas que produzem fora dos grandes centros culturais. Em contraponto, destaca a abundância criativa do interior pernambucano e a força de seus conhecimentos e práticas artísticas.

A exposição se organiza a partir de três estados da matéria – pó, lama e cerâmica – relacionando-os às estruturas coloniais, à desigualdade, à memória e às formas coletivas de resistência e sobrevivência. “Esta Bienal assume-se como um espelho de sobrevivência coletiva. Uma plataforma de fricção que denuncia o trauma da plantation – a estrutura colonial que cercou a terra, monopolizou a água e mercantilizou os corpos – enquanto celebra a insistência poética daqueles que reinventam a vida nos contra-espaços”, afirma Carlos Mélo.

Território – A Bienal também marca o reencontro com um espaço importante para a história de Caruaru: o antigo galpão da Fábrica Caroá, que produzia cordas e foi posteriormente doado ao município para abrigar um centro cultural. Depois de um período em que funcionou como estacionamento, o espaço foi restaurado e transformado em pavilhão, integrando o complexo do Armazém da Criatividade. A ocupação pela Bienal reafirma sua vocação cultural e amplia a proposta de descentralizar a circulação da arte contemporânea, criando em Caruaru um ponto de encontro entre artistas e públicos de diferentes regiões.

Entre os trabalhos apresentados, Anna Bella Geiger transforma o gesto cotidiano de comer em reflexão política na obra “O Pão Nosso de Cada Dia”, na qual mordidas em uma fatia de pão configuram o mapa do Brasil. Edson Atikum, por sua vez, apresenta as Mukitas, esculturas em barro cru que dialogam com a ancestralidade Atikum e a tradição das caras feias e carrancas. Já as jarras de Terezinha Gonzaga evocam a relação entre terra, fogo, água, trabalho e saberes tradicionais.

Programação – A abertura, nesta terça-feira, 3 de novembro, às 17h, terá apresentação da exposição, fala do curador e visita guiada. Às 19h, a artista portuguesa Beatriz Albuquerque apresenta a performance “A crise na fortuna”. No sábado, 7 de novembro, às 17h, Anna Bella Geiger apresenta a performance “O pão nosso de cada dia”, no auditório do Armazém da Criatividade. A artista também inaugura, às 19h, a exposição “Burocracia”, na Galeria Boi, no Alto do Moura.

O primeiro fim de semana contará ainda com a Mostra Terra PE, realizada de 6 a 8 de novembro, também no Armazém da Criatividade.

Serviço – A exposição “Escassez e abundância: rotas de fuga”, da Bienal do Barro do Brasil, fica em cartaz de 3 a 28 de novembro, no antigo galpão da Fábrica Caroá, no Armazém da Criatividade, em Caruaru. A visitação acontece de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados e domingos, das 10h às 19h. A entrada é gratuita.

Realização: Jaraguá Produções.

Apoio: Galeria Boi, Feira Terra PE, Porto Digital – Armazém da Criatividade, Fundação de Cultura de Caruaru e Prefeitura Municipal de Caruaru.

Incentivo: Funcultura, Fundarpe e Governo de Pernambuco.

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