
O I Congresso Regional de Educação pela Paz, realizado na Capital do Agreste, reuniu gestores, educadores, estudantes e instituições parceiras em dois dias de formações, oficinas e trocas de experiências voltadas à construção de ambientes escolares mais acolhedores, seguros e inclusivos.
O encerramento das conferências contou com a participação especial de Joanna Figueiredo, Secretária de Justiça, Direitos Humanos e Prevenção à Violência de Pernambuco (SJDH). Em entrevista exclusiva ao portal BPN, a secretária destacou que a promoção dos Direitos Humanos na escola vai muito além da teoria: é uma prática diária de proteção social e fortalecimento da cidadania.
1. Direitos Humanos na prática diária da sala de aula
Questionada sobre como transformar a Educação em Direitos Humanos em uma ferramenta diária contra as violências, a secretária explicou que o tema possui uma natureza transversal e já habita o cotidiano escolar por essência.
“Direitos Humanos perpassam todo o contexto da vida das pessoas. No chão da escola, a teoria e a prática se encontram no cotidiano de forma natural. Isso pode ser inserido a partir das disciplinas tradicionais, como Português e Matemática, provocando o debate sobre combate às discriminações, enfrentamento ao bullying e respeito à vida em sociedade”, afirmou Joanna Figueiredo .
A secretária exemplificou que debates sobre economia solidária podem ser integrados à Matemática, enquanto a reflexão sobre igualdade e diversidade pode permear a interpretação de textos em Língua Portuguesa.
2. Ações do Governo de Pernambuco e atuação em rede
Ao abordar as estratégias estaduais para combater o cyberbullying e as discriminações entre os jovens, a titular da SJDH destacou que “falar de Direitos Humanos não é uma atuação em ilha, é uma atuação em rede”. O governo estadual tem intensificado campanhas educativas de conscientização no ambiente escolar, como:
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Pernambuco pelo Fim do Racismo;
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Pernambuco pela Diversidade (respeito à população LGBTQIA+);
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Pernambuco pelo Fim do Capacitismo (respeito às pessoas com deficiência).
Além das campanhas estaduais, a secretária ressaltou o papel do Núcleo de Prevenção Social mantido em Caruaru. A unidade conta com equipes de mediação de conflitos que atuam diretamente em territórios vulneráveis e no ambiente escolar. “Quando a gente media um conflito, impedimos que uma violência possa acontecer e chegar a vias de fato”, reforçou.
Joanna Figueiredo destacou ainda o projeto pedagógico do Memorial da Democracia de Pernambuco, que oferece palestras para estudantes e recebe excursões escolares para promover o respeito à memória, à justiça e às instituições democráticas.
3. O professor como elo de proteção e identificação de violências
Na última pergunta, sobre como o fortalecimento da formação cidadã ajuda na identificação precoce de violações de direitos, Joanna Figueiredo trouxe uma reflexão profunda sobre o papel social da escola frente ao contexto familiar.
“Por vezes, o próprio contexto familiar acaba violando os direitos das crianças e adolescentes em vez de proteger. Nesse cenário, a escola se torna o local de refúgio, apoio e segurança”, destacou a secretária.
Nessa perspectiva, a secretária defendeu que o poder público deve estar próximo dos educadores, oferecendo suporte técnico e acolhimento:
“Os professores são, muitas vezes, os grandes confidentes dos alunos e os primeiros a identificar quando um estudante está sofrendo violência doméstica ou discriminação. É a partir desse olhar sensível do educador que a rede de proteção é acionada. Nosso dever é orientar e auxiliar o professor para que possamos salvar vidas e garantir que esses jovens saiam da escola como cidadãos plenos e sujeitos de direitos”, concluiu.
Assista à entrevista na íntegra na TV BPN:
Você pode conferir o vídeo completo da entrevista com a Secretária Joanna Figueiredo no canal da TV BPN no YouTube

















