
O Teatro Experimental de Arte (TEA) realiza, no próximo dia 16 de abril, a leitura pública do texto “Catarina e a beleza de matar fascistas”, do premiado dramaturgo e diretor português Tiago Rodrigues. A sessão acontece em Caruaru, no Teatro Lycio Neves (Rua Carlos Laet, 356, Indianópolis), às 20h, com entrada gratuita — os ingressos devem ser retirados uma hora antes do início. A classificação indicativa é 14 anos.
A escolha da obra, por si só, já é uma declaração de princípios. Escrito e montado originalmente em Portugal no ano de 2020, no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, o texto nunca deixou de provocar discussões acaloradas por onde passou. Em Roma, sua estreia foi acompanhada de protestos de forças de extrema-direita, com um deputado do partido Irmãos de Itália (Fratelli d’Italia) pedindo que o espetáculo fosse retirado do cartaz. No mês passado, uma montagem do espetáculo na Alemanha foi interrompida por uma invasão de palco e insultos, noticiada pela SIC Notícias — um episódio que escancara a tensão que a obra desperta ao enfrentar abertamente o avanço da extrema-direita. Em Viena, o público levantou-se em reação. Em Portugal, têm cantado “Grândola, Vila Morena”. Em Itália, “Bella Ciao”. A peça, que em julho de 2025 foi anunciada para temporada de regresso a Lisboa na Culturgest (com sessões entre 12 e 17 de janeiro de 2026, incluindo legendas em inglês e audiodescrição), segue provocando reações intensas em todo o mundo.
A trajetória polêmica, no entanto, não tem impedido seu reconhecimento internacional. Neste primeiro semestre de 2026, “Catarina e a beleza de matar fascistas” alcança um feito inédito: estreia no prestigiado National Theatre de Londres, tornando-se a primeira peça em língua portuguesa a ser representada no palco principal da instituição. A montagem londrina será assinada pelo próprio Tiago Rodrigues, ex-diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II e atual diretor do Festival de Avignon, figura central da dramaturgia política contemporânea na Europa.
O caminho que trouxe este texto a Caruaru começou em 2025, durante minha passagem pelo Festival de Avignon. Estar lá, com o apoio da Bolsa Cultural – PNAB PE, foi um mergulho no que o teatro tem de mais pulsante no mundo. Nos encontros promovidos pelo Instituto Francês e pelo Onda – Office national de diffusion artistique, estavam produtores de diversos países, e todos sempre comentavam da mesma peça: “Catarina e a beleza de matar fascistas”. Não era apenas pela qualidade dramatúrgica — que é imensa —, mas pela coragem de colocar em cena um texto contundente, direto, que aborda um tema fundamental em nossos tempos atuais: o avanço da extrema-direita pelo mundo. Quando voltei ao Brasil, sabia que precisávamos trazer esse texto para nossas formações. Não como resposta ao fascismo — isso seria reducionista —, mas como pergunta: o que cada um de nós está disposto a fazer para defender a democracia?
Esta leitura integra as ações de formação do TEA e tem o apoio da PNAB PE, via Secretaria de Cultura e do Governo de Pernambuco.
Ficha técnica
Coordenação Geral: Arary Marrocos
Coordenação Pedagógica: Fábio Pascoal
Produção: Juliana Zuppardo
Iluminação: Babi Sabino
Dramaturgista: Sandra Lima
Elenco: Charles Douglas, Dani Melo, Joana Teixeira, João Pedro da Silva, Castanha, Vitor Carvalho e Jéssica Calado.
Serviço
Catarina e a beleza de matar fascistas
Local: Teatro Lycio Neves – Rua Carlos Laet, 356, Indianópolis, Caruaru
Horário: 20h
Dia: 16 de abril de 2026
Ingressos: gratuitos (retirados 1h antes da sessão)
Indicação etária: +14

















