
Por: Redação Blog BPN
Em uma conversa carregada de história e emoção, Marcelo Melo, fundador do icônico Quinteto Violado, conversou com Janaína Oliveira para o Blog BPN. Aos 80 anos de vida e celebrando os 55 anos do grupo, o músico relembrou momentos fundamentais de sua trajetória ao ser homenageado com o Prêmio Paixão Cultural Troféu Diva Pacheco.
O Batismo nas Pedras de Nova Jerusalém
Marcelo revelou um detalhe histórico: o nome “Violado” nasceu justamente no cenário da Paixão de Cristo. Após uma apresentação a convite de Zé Pimentel e indicação de Hermilo Borba Filho — que via no grupo o futuro da renovação da música nordestina —, os filhos de Plínio e Diva Pacheco gritaram ao ver os músicos descendo as pedras com seus instrumentos: “Lá vem os violados!”. Ali, o que era apenas “Quinteto” ganhou a identidade que conquistaria o mundo.
A Conexão com o Rei do Baião
O líder do Quinteto Violado destacou a relação de profunda amizade e parceria com a família Gonzaga. Nos anos 70, o grupo foi o anfitrião de Luiz Gonzaga, Gonzaguinho e Dominguinhos em circuitos universitários, levando a música regional para os centros acadêmicos.
“Gonzaga se emocionou ouvindo o arranjo que fizemos para ‘Asa Branca’. Ele é nossa estrela guia. A sonoridade que o público aplaude hoje nasceu dessa leitura que fizemos da obra de Gonzaga”, afirmou Marcelo.
Encontro de Gerações e Legado
Recentemente, ao celebrar seus 80 anos, Marcelo protagonizou um encontro histórico com o mestre Onildo Almeida, de 97 anos. Juntos, cantaram “A Hora do Adeus”, simbolizando a imortalidade da canção regional.
Para o músico, receber um prêmio com o nome de Diva Pacheco é mais do que um reconhecimento profissional; é uma celebração da amizade com a família Pacheco e da preservação da memória cultural do Agreste.
A Missão da Identidade
Ao encerrar, Marcelo Melo deixou um recado sobre a importância de veículos como o Blog BPN na valorização da cultura local: “Não podemos deixar perder esse contato com o público. A música regional emociona porque faz parte da identidade do povo. É preciso fortalecer quem mantém essa raiz viva”.
O Troféu Diva Pacheco reafirma o papel do Quinteto Violado como um dos maiores pilares da música brasileira, unindo a tradição de Nova Jerusalém à inovação sonora que atravessa décadas.
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