
O Alto do Moura amanheceu mais silencioso nesta quinta-feira, 05. Faleceu Helena Rodrigues da Silva, carinhosamente conhecida como Leninha. Primogênita de uma das linhagens mais nobres do artesanato brasileiro, ela era filha do icônico ceramista Zé Caboclo e de Dona Celestina, figuras que moldaram a identidade cultural de Caruaru e do Brasil.
Uma linhagem de mestres
Falar de Leninha é reviver a história da arte figurativa. Seu pai, Zé Caboclo, foi o primeiro discípulo do Mestre Vitalino. Ao lado de Vitalino e de Manoel Eudócio, ele formou o trio fundamental que consolidou os temas clássicos do barro — como os conjuntos de maracatu e bumba meu boi. Foi Zé Caboclo quem introduziu as famosas “bolinhas” nos olhos dos bonecos e o uso de arame nas esculturas, técnicas que hoje são assinaturas do Alto do Moura.
A tradição vinha de ambos os lados: sua mãe, Dona Celestina, também deixou sua marca com a produção de delicadas panelinhas em miniatura, peças que encantavam pela precisão e simplicidade.
Despedida
O velório está sendo realizado na Casa de Zé Caboclo, no coração do Alto do Moura, local que respira a história da família. O clima é de profunda consternação entre amigos, familiares e artesãos que reconhecem em Helena o elo de uma história de resistência e arte.
O sepultamento está previsto para o período da tarde, no Cemitério do Alto do Moura.
















