A QUESTÃO DE FATO I Preservando a Cultura Africana no Brasil: Uma Conversa com Pai Kiambá

13 de setembro de 2025

Pai Kiambá de Logun-Edé discute a importância da preservação da cultura de matriz africana no Brasil, combatendo o racismo estrutural e a invisibilidade histórica, e a necessidade de uma maior inclusão e respeito à diversidade religiosa e cultural.

A QUESTÃO DE FATO chega ao final de sua primeira temporada trazendo Flávio Kiambá (Pai Kiambá de Logun-Edé), líder religioso de um terreiro de matriz africana em Caruaru, Pernambuco, na véspera da 5ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial. A conversa aborda a invisibilidade e o preconceito sofridos pela cultura de matriz africana no Brasil, mesmo no Nordeste, onde a influência africana é marcante. Pai Kiambá destaca a necessidade de combater o racismo estrutural que impede o pleno exercício da cultura e das religiões de matriz africana, incluindo a realização de cultos e rituais ligados à natureza. Ele argumenta que a falta de conhecimento sobre a cultura africana, desde a educação básica, perpetua o preconceito e a ignorância. A capoeira é citada como exemplo positivo de integração da cultura africana na sociedade, promovendo valores como respeito e diálogo.

Pai Kiambá enfatiza a importância de quebrar preconceitos através do conhecimento e da experiência direta com a cultura africana, destacando o trabalho do seu terreiro, o Ilque Ambau Juoiá, em oferecer oficinas de percussão e dança para crianças de um bairro carente. A celebração do dia de Ibejis (Cosme e Damião) é apresentada como um exemplo da riqueza cultural africana, mostrando como a tradição de distribuir doces às crianças tem raízes na África e representa um ato de oferenda e alegria. Ele argumenta que a cultura africana, em sua essência, é sobre troca, doação e respeito às diferenças, contrária à visão eurocêntrica que promove a polarização e a hierarquia.

A entrevista culmina com uma discussão sobre a 5ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, vista como um espaço crucial para a luta por direitos e reconhecimento da cultura de matriz africana. Pai Kiambá reforça a necessidade de um Ministério da Igualdade Étnico-Racial e a importância de superar a divisão e o preconceito através do amor, da aproximação e do respeito à diversidade, lembrando a filosofia Ubuntu e a história da cidade de Ilé Ifé, a “casa do amor”.  termina com um apelo à união e à fé na luta por igualdade e justiça social.

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