
O Brasil celebra neste 7 de setembro de 2025 os 203 anos de sua independência formal de Portugal. No entanto, essa data, tradicionalmente tratada como símbolo de libertação, precisa ser constantemente revisitada à luz da verdade histórica e das urgências do presente. A independência de 1822 foi, na prática, uma separação política que pouco alterou a estrutura social e econômica herdada da colonização. O poder continuou nas mãos das elites e o povo permaneceu à margem.
Nossa trajetória como nação tem sido marcada por rupturas promovidas de cima para baixo, quase sempre ignorando a vontade popular. Da Proclamação da República, em 1889 — fruto de um golpe militar liderado por Deodoro da Fonseca — às mais recentes tentativas de desestabilização institucional, como as articulações golpistas do ex-presidente Jair Bolsonaro, o Brasil vem lutando para consolidar uma democracia verdadeiramente popular, plural e soberana.
Em pleno 2025, ainda somos um país onde a independência real — aquela que liberta o povo da fome, da desigualdade, do autoritarismo e da tutela estrangeira — ainda está por ser conquistada. Hoje, enfrentamos novas ameaças à nossa soberania, como tentativas de submissão às vontades do capital internacional, interferências diretas de potências como os Estados Unidos e ataques sistemáticos à democracia brasileira.
Por isso, o 7 de setembro não pode ser apenas uma data de desfiles cívicos e celebrações oficiais. Ele precisa ser um momento de mobilização popular, de reflexão crítica e de ação coletiva. É preciso que o povo brasileiro ocupe ruas, avenidas e praças, não para celebrar uma independência incompleta, mas para exigir a verdadeira emancipação de nosso país.
E essa emancipação só será possível com justiça social.
Sem acesso universal à educação, à saúde, ao trabalho digno, à moradia e à terra, não há independência que se sustente. Sem combate ao racismo, à violência de Estado, à concentração de renda e poder, continuaremos sendo um país formalmente livre, mas estruturalmente dependente e desigual.
Independência não se faz com submissão aos interesses estrangeiros, nem com a exclusão do povo das decisões sobre o seu próprio destino. Independência se faz com soberania, democracia e justiça social.
Neste 7 de setembro, que nossa bandeira seja a luta por um Brasil realmente livre, justo e solidário. Que a independência deixe de ser um capítulo do passado e passe a ser um projeto de futuro — construído pelo povo e para o povo.

















