
Mesmo inelegível até 2030 e condenado em um processo eleitoral praticamente irreversível, Jair Bolsonaro nunca abandonou o desejo de voltar à presidência. Contudo, diante da iminente condenação no caso da tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente parece ter mudado de rota. Agora, a estratégia não é mais disputar o Planalto — é controlar o Congresso Nacional.
Em um evento recente, esvaziado de culto popular e apoio expressivo, Bolsonaro foi claro: “Me deem isso que eu mudo o destino do Brasil. E digo mais: nem preciso ser presidente.” Esse “isso” a que se refere é o controle de, no mínimo, 50% do Congresso Nacional — Câmara e Senado. Com essa base, ele acredita que poderá emplacar sua pauta política e, acima de tudo, proteger a si mesmo.
O protagonismo do Congresso, nos últimos anos, cresceu exponencialmente. Hoje, concentra poder, influência, visibilidade e, sobretudo, dinheiro — via emendas parlamentares. Assim, para Bolsonaro, controlar o Congresso não é apenas uma saída para tentar restaurar seus direitos políticos, mas uma tática para continuar presente na vida pública sem precisar de um cargo formal.

O problema é que, depois de Moraes, quem mais estaria na mira? Você? Seu pai, sua mãe, seu vizinho? Qualquer um que pense diferente pode se tornar o próximo inimigo da “pátria, de Deus e da família”. E, nesse delírio autoritário, o direito de discordar vira motivo de perseguição.
A sanha golpista, na verdade, nunca cessou. Ela está viva, ativa, escancarada. Grita-se aos quatro ventos. Alimenta-se de mitos, medos e fantasias de um país que só existiria sob o comando de uma única verdade absoluta. Mas a história mostra: só a democracia é capaz de vencer o golpismo. Não com silêncio ou indiferença, mas com firmeza, vigilância e participação.
O Brasil é maior do que qualquer projeto pessoal de poder. E a democracia, por mais frágil que pareça, continua sendo a única saída possível para todos nós.

















